Visto em C&A.

Segundo desfile do dia neste domingo, no SPFW, surpreendeu os fashionistas com um nu frontal na passarela. A marca dos estilistas Dudu Bertholini e Rita Comparato escolheu o Parque Aquático da Água Branca como cenário para apresentar sua coleção de verão 2011, marcada por grafismos, neoprene e peças em plástico transparente.
Fonte GNT
Temporada pede corpos mais curvilíneos do que a de desfiles de inverno.
G1 ouviu profissionais da moda para saber quais são as suas favoritas.
Esqueça as garotas muito magras e branquinhas caminhando pela passarela. A temporada de verão 2011 levará mais sensualidade à São Paulo Fashion Week, que tem início nesta quarta-feira (9) no prédio da Bienal do Parque do Ibirapuera.
Profissionais de moda ouvidos pelo G1 explicam que as coleções que antecipam o que será visto no litoral do Brasil no ano que vem pedem mulheres com corpos curvilíneos, pele negra ou bronzeada e visual mais sexy.
“No verão, as meninas de pele branca e traços europeus dividem a preferência com mulheres de pele morena e corpos mais volumosos”, revela o booker da agência Ford Marco Aurélio Casal de Rey, responsável por indicar às grifes modelos que vão à passarela.
“As garotas que têm um corpo mais ‘desenhado’ vão faturar mais. A imagem que faz sucesso agora é a da mulher exuberante, saudável, feliz”, completa Giovanni Frasson, stylist e editor da revista especializada em moda “Vogue”.
Para Frasson, a moda de verão valoriza no mundo todo o corpo que, ao menos no imaginário coletivo, é o da brasileira. “Essa coisa da sensualidade, da ‘brazilian bombshell’ [apelido dado a Carmen Miranda em seus tempos de sensação em Hollywood] e das curvas é o que faz essas meninas serem pagas a peso de ouro para vestir maiôs e também lingerie, jeanswear…”
Mas quem são as donas dos “corpões” mais cobiçados pelas grifes nesta temporada?
Entre as eleitas da vez – confira a lista completa no infográfico abaixo – estão nomes como as modelos negras Samira e Gracie Carvalho, a novata Laís Ribeiro, além das tops Fabiana Semprebom e Juliana Imai, apostas do stylist da marca de biquínis Água de Coco Daniel Ueda.
“Tenho certeza de que elas [Semprebom e Imai] vão arrasar simplesmente porque têm um corpo lindo, e o melhor: são versáteis. Além desse desfile, devem fazer muita moda praia nesta edição da SPFW.”
Já para a booker da agência Mega Vanessa Novotny, os flashes vão disparar mesmo quando Isabeli Fontana pisar na passarela. “Ela vai do sexy ao angelical e pode encarnar vários personagens de uma só vez. É uma camaleoa”, elogia a agente.
Ajuda da genética e agachamento
Ao contrário do que se pode pensar, malhação seguida à risca, tratamentos estéticos mirabolantes e alimentação rigidamente controlada nem sempre fazem parte do dia-a-dia de algumas das mulheres mais exuberantes da SPFW.
Aos 21 anos (e modelando há cinco), a paulista Samira conta que se baseia “só na genética” para garantir a boa forma antes de entrar na passarela. “Por enquanto, está funcionando, graças a Deus”, se diverte, dizendo que o máximo que faz é maneirar nas refeições antes de desfilar. “Prefiro comer uma saladinha, uma fruta, mas isso só para não ficar de barriga inchada.”
Morando entre São Paulo e Nova York, ela fez todos os 14 desfiles na mais recente edição do Fashion Rio. “Estive ainda em todos os que tinham moda praia e te digo que apesar de já estar ficando acostumada à correria, acho tudo uma delícia e fico até ansiosa.” Samira conta que a principal diferença de desfilar no Brasil é a atmosfera no backstage. “Aqui tenho amigos, conheço os maquiadores, converso com as outras modelos. Adoro!”
A piauiense Laís Ribeiro, 20, que abrirá o desfile da Rosa Chá, também revela que não faz muito esforço antes de entrar na passarela vestindo pouca roupa. “Acho até bizarro falar, mas não faço nada”, confidencia a modelo. “Agora no Fashion Rio foi a primeira semana de moda em que modelei verão e senti medo, porque sei que maioria das modelos se prepara bastante. Mas não encano e vou levando assim. Na hora em que precisar, e espero que daqui a muito tempo (risos), vejo o que faço.”
Mais precavida, a top Renata Kuerten, 20, intensifica as aulas de pilates e sessões de caminhada que faz normalmente e procura maneirar no consumo de doces e refrigerantes nos dias que antecedem os desfiles. “Como já sei que vou ter de estar em forma, mudo minha rotina. Mas não é toda menina que faz isso. Na hora de entrar na passarela é uma correria e a gente vê colegas fazendo agachamento e até passando spray fixador no bumbum”, conta. “Eu prefiro me preparar uma semana antes, até porque para algumas coisas não tem milagre que ajude”.
Curvas importadas
Mas nem só de brasileiras é feito o casting de um desfile de moda praia. Em uma das mais concorridas apresentações do evento paulistano, a passarela terá ares de mapa-múndi.
A estilista da Cia. Marítima Fabiana Kherlakian conta que a marca trará nove modelos internacionais para a SPFW – com destaque para a isralense Esti Ginzburg e a holandesa Sylvia Geersen, que protagonizam a campanha de verão grife.
Mas a abertura – momento dos mais importantes na apresentação de uma coleção – será feita pela brasileira Izabel Goulart. “Não dava para escolher outra garota. A Izabel tem um corpo mais do que perfeito e vai entrar usando um biquíni de estampa étnica, que tem tudo a ver com a inspiração marroquina que marca nossa temporada”, adianta Fabiana.
“Só não topei fechar a campanha com uma brasileira porque teria de contratar alguém com exclusividade para não correr o risco de ver a menina na campanha da Cia. Marítima e na de uma loja do Bom Retiro ao mesmo tempo. Lá fora, isso não acontece, os agentes têm mais cuidado em não diluir a imagem da modelo”, alfineta.
“Adoraria ter uma mulher daqui como a cara da marca, mas infelizmente as coisas acontecem assim.”
Fonte G1
Triya, Lucas Nascimento, Andrea Marques, Teça, New Order e Isabela Capeto
O safári e a savana africana marcaram a estreia da Triya, grife de moda praia, no Fashion Rio. O trio que assina a coleção, Isabela Frugiuele, Bebel Fioravanti e Carla Franco, pegou pesado nas estampas animais e no tribalismo que ronda as tendências do vestuário. As tiras multiplicadas, abraçando os ombros, descendo pelas costas ou escorrendo de decotes tipo coleira, ou ainda duplicadas nas laterais de biquínis, são responsáveis pelos melhores momentos.
Participante da semana de moda carioca pela 2ª vez, Lucas Nascimento saiu-se bem como na estreia. Os formatos são minúsculos, com vestidos e conjuntos de saia e blusa e com medidas calculadas em centímetros de um tricô improvável pela leveza dos fios e da execução. Os pequenos volumes, dispostos sobre a roupa, que de tão justa é quase um body, também são discretos, mas valorizam a textura das superfícies. Esse é um dos pontos altos de seu trabalho.
Outra nota forte fica por conta do radicalismo. É óbvio que várias daquelas peças e tamanhos não são viáveis, mas por deixar isso claro, os vestidos “difíceis” dele ascendem a outra categoria, a de projetos conceituais consistentes, com potência para falar do que o estilista é capaz de fazer e de como ele faz. A ideia está vendida. O resto vem depois. Outros vestidos nessas proporções proibitivas passaram por aqui alheios à sua real condição, tão distraídos na impropriedade que não convenceram. Aqui, esse não é o caso.
Livre da condição de ex-Maria Bonita Extra, Andrea Marques prova que muito da graça da marca que deixou para trás era a graça dela. Nesta estação, foi o calor dos trópicos que aguçou a imaginação da estilista, mas não lhe roubou o senso de equilíbrio característico. Muito menos a feminilidade doce que ela consegue expressar sem excessos até mesmo na alfaiataria.
Andréa encontrou no sol, nas plantas e em demais elementos dessa cadeia natural as referências para uma coleção correta, que se apropria de maneira particular das tendências apontadas para o verão. Para garantir a assinatura, ela regou o gosto tropical com o romantismo enxuto. Não é uma coleção de mudar o mundo. Mas funciona e é também bonita e honesta.
Militarismo light no desfile da Têca. Todo o peso foi aliviado pela conexão com a presença militar no nordeste dos anos 1940 durante a 2ª Guerra Mundial. O calor extremado da região e os uniformes provavelmente tiveram que entrar em acordo na época, e é essa nota que a coleção assume, colecionando alguns bons acertos e vestidos desejáveis.
Além da depuração formal, a mistura mais visível é com as estampas florais. Em seguida, entram rendas brancas e cores, refrescando de vez qualquer traço de agressividade. Na moda, militarismo é só imagem e gosto pelo senso utilitário. A modelagem funcional dos uniformes e acessórios, destinados a situações extremas, fascina criadores e públicos como resultado estético e prático de uma tecnologia. E é só isso. A belicosidade passa bem longe das passarelas.
Com a responsabilidade de ganhar público e crítica e repetir o feito alcançado na estação passada, a New Order foi a penúltima marca a desfilar. Florida, trouxe também estampas de insetos e planta carnívora, que alinharam a coleção com modernidade, não olhando para o passado. A marca misturou padrões e abusou deles tanto nas peças de roupa, sempre enxutas e interessantes, quanto nos acessórios. Entre eles, tênis e sandálias de cano alto, tamancos, flip flop estampadinho, bolsas e mochilas de muitos tamanhos e formatos. Deu certo.
Isabela Capeto re-encontrou o Rio depois de 6 anos desfilando em São Paulo e trouxe moda ultradecorada para celebrar a ocasião. O apreço da estilista pelos anos 1970, babados pelas flores e artesanias é notório, como também é de conhecimento que, gradativamente, e com mais ou menos êxito, ela imprime a esse repertório uma camada de sofisticação crescente.
Essa trajetória atinge um estágio notável na estação. Os bordados têm um preciosismo a mais, as cores idem, e Isabela obtém uma variação de texturas com materiais como a ráfia, que são de encher os olhos. Alguns shapes dos anos 1960 e 1980 corrigem os cortes previsíveis da década de 1970 e acrescentam alguma graça à modelagem, em comprimentos mais curtos, evasês e godês, que dão balanço ao conjunto. No mais, é tudo sobre superfícies ricas e movimentadas, com dourados, turquesas, conchas e corais em profusão.
O desfile encerrou o Fashion Rio. E fechou bem, com moda bonita de se ver e que aprofunda, para o bem e para o mal, a ideia de brasilidade relacionada aos elementos exuberantes, coloridos, e beirando a condição de alegorias.
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Giulia Borges, Patachou, British Colony, Juliana Jabour, Carlos Tufvesson e Espaço Fashion
Tudo que contraria as frequentes amenidades comerciais, que dominam esta edição do Fashion Rio, é suficiente para acender o interesse. No caso, era a hora e a vez de Giulia Borges mostrar a que veio, e logo ficou claro que ela estava em outra onda. Encolhendo drasticamente as proporções e lançando mão de muito cetim colorido e recortes, a estilista entrou na seara do surf para fazer interpretação curiosa do repertório que circunda o tema.
Cada peça é esvaziada em pontos estratégicos, criando formas em negativo, com desenhos de sugestão esportiva. Dessa maneira, são áreas cheias e vazias que definem a textura visual, alternando pele à vista e as cores do cetim nos recortes. Cintura marcada, evasês em saiotes curtos e nos vestidos mínimos, peças construídas por muitas tiras e sobreposições de tecido em duas cores, ressaltadas por vazados, são as armas da estilista contra a mesmice. Nem sempre o resultado é propriamente bonito. Em alguns momentos, a silhueta de cintura marcada sai achatada, entre outros acidentes de percurso. Mas boba e acomodada essa roupa não é.
Responsável por imagens icônicas de punks dos 1980 e pelas flores negras da capa do Massive Atack, o fotógrafo londrino Nick Knight é citado no release da Patachou. A marca agora está sob comando de Érika Frade, que aprofundou a distância entre a origem da grife, aquela dos tricôs imbatíveis, e esta de hoje. Em busca da nova identidade, trouxe vestidos, shorts curtos e estruturados, hotpants radicais, tomara-que-caia, decote de um ombro só e estampas florais, o que faz a ligação com Knight.
Tecnicamente, a roupa da Patachou é muito bem resolvida. Tem algo da maturidade que está eternamente em falta no mercado. Esta coleção exibe uma dinâmica nas formas que é vigorosa e sensual. Também realiza incríveis tratamentos de superfície, com telas delimitando compartimentos onde aparecem contas e estampas aprisionadas, como no vestido de Ana Cláudia Michels. Mas ainda não foi desta vez que emplacou uma ideia nova, daquilo que a marca é ou pretende ser. Em todo caso, é bom relativizar esse último comentário, que pode ser apenas o resultado de uma expectativa inadequada, considerando que todo o contexto da marca hoje é outro.
De volta às semanas de moda, a British Colony passou bonita e inspirada no 5º dia. Sem grandes gestos, mas eficiente e relaxada no melhor dos sentidos. A coleção é antenada nos desejos correntes de estilo e conforto, exibe formas amplas que rimam com bom desenho e simplicidade, o que não quer dizer falta de graça. São bem bonitos os vestidos assimétricos e de profundo decote V.
Contemplados por proporções interessantes de roupas leves, os rapazes também saem no lucro. Nesse caso, toda a calma e elegância contida não é apenas medo de correr riscos. Na verdade, eles são assumidos todo o tempo, mas sem grandes alardes. É assim que o macacão sai ampliado e leve, desfazendo de vez aquele ranço de uniforme utilitário que persegue a peça no masculino. Funcionou bem a alfaiataria com a leveza que pede o verão, para eles e para elas. Houve sensibilidade na forma e nos materiais e, antes de tudo, boa dosagem na invenção.
Outra boa apresentação foi a de Juliana Jabour, que entrou em cena mostrando segurança também no comando de belas peças em algodão, linho, shantung de seda, tafetá e sarja, deixando no passado os tempos exclusivos dos vestidinhos de malha que lhe deram fama. Tudo bem que os babados ainda estão lá, e que o shortinho combinado ao top de verão é básico e, obrigatoriamente, tem de ser bem feito. Pelo menos no patamar em que ela está. Mas a roupa como um todo amadureceu em estilo. Disso não há dúvidas, e faz sentido comemorar.
Carlos Tufvesson corteja o vulgar com garotas abusadas, de vestidos muito curtos, encarnando estereótipos de strippers e escort girls. Sobre sandálias pesadas e altas, elas entram firmes na passarela cheia de barras verticais, aparentemente, prestes a encarar uma pole dance. Como faz isso reiteradamente, e com segurança, Tuvfesson vai se impondo nesta fronteira arriscada.
O desfile funciona bem como espetáculo, enquanto a roupa supersexy, na verdade, nem passa tão longe da que frequenta as noites de grandes centros urbanos. A estética e as proporções é que encontram correspondência no estilo da Balmain e de outras marcas de grande visibilidade. Hoje, o estilista esquentou de vez o Fashion Rio. O jeans entra como linha especial e também passou bem.
Construindo em camadas e assimetrias, a Espaço Fashion reitera o evasê, os corsets, as transparências, os vestidos de um ombro só e alivia o peso de estações passadas com a cartela de pâtisserie. Outros sinais de leveza vêm dos laçarotes enormes na cabeça e das estampas florais. Definitivamente, esses sinais vêm da guinada para os anos 1950, ecoando movimentações na cena internacional capitaneadas por Louis Vuitton e Prada.
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Blue Man, Filhas de Gaia, Cavendish, Melk Z-da, OESTUDIO e TNG
Mais que um recurso de impacto, os jogos entre opostos (romantismo e secura, curvas e retas, efeitos vaporosos e estruturados), que têm marcado as apresentações, configuram desejos nítidos de experimentação. Funcionam como um passo para frente e outro para trás, sem que ninguém se afaste muito da zona de segurança. No 4º dia, quem fugiu à regra foi Melk Z Da, que se aprofundou em todas as direções que escolheu, e OEstudio, fiel no mergulho à identidade singular e engenhosa.
No pequeno Teatro Gláucio Gil, foram necessárias duas apresentações para acolher jornalistas e o público que compareceu para prestigiar a Blue Man. Em seu retorno à temporada carioca, a marca apostou em formato intimista, mas em grande estilo, acompanhada pelo violonista Yamandú Costa, a voz de Ney Matogrosso e o barulho dos saltos das dançarinas flamencas. Ney aproveitou a deixa para lançar olhares e trejeitos para os rapazes de sunga, e ganhou a plateia.
A pegada andaluz é resultado de uma viagem da estilista Marta Reis para Sevilha e Granada. Sobre básicos do beachwear, Marta concentrou-se nos decotes, nas fendas estratégicas e no tamanho reduzido de algumas peças, tendência tímida que começa a emergir por aqui. Para os rapazes, bermudas e material extra para as sungas, criando leves drapeados, e deixando a peça mais sensual que de costume.
Oposição entre materiais armados e fluídos, de opacidade e transparências, e as grandes aranhas negras passeando sobre a roupa configuram o melhor do desfile da Filhas de Gaia. O pano de fundo mais uma vez são flores e jardins, tendência onipresente neste Fashion Rio. Marcela Calmon e Renata Salles entram com o toque dissonante dos insetos repulsivos, e o truque das diferenças justapostas, vai um tanto mais longe do que a forma que têm passado por aqui.
Para a Cavendish, a busca pelo paraíso é o mote do verão. Formas secas, acabamentos arredondados e cores vibrantes deram o tom da coleção. Como se trata de moda “made in Rio”, a referência ao mar transborda em peixes, bordados e estampados. Inevitável, quando o próprio verão é a maior das inspirações e no release estão citados areia, beira da praia, rede de pesca, calor, pássaros coloridos, ilha deserta, pôr-do-sol, futebol, folhas de palmeiras e por aí vai. A tradução se dá em silhuetas ajustadas, que dispensam volumes alienígenas à anatomia, e assumem modelagens retas, só quebradas por evasês discretos, jabôs, babados e recortes no corpo da peça.
Sem a preocupação de mostrar moda pronta para o consumo, Melk Z-da ensaia voos arriscados e se sai bem nas construções complexas e detalhadas. Outra qualidade vem do trato com os materiais, que rege com competência em registros diferentes de textura e peso. O estilista é de Pernambuco, e uma singularidade dele é dizer de onde veio sem recorrer a alegorias.
Desta vez, são as danças folclóricas que dão substancia à coleção, revelando os laços estreitos com a cultura popular. O reizado, uma dança profana religiosa, a marujada que é exclusividade das mulheres, e o cavalo marinho, uma simbiose de teatro, música e poesia servem de mote para um exercício no mínimo audacioso de moda. De colorido, apenas um vestido vermelho intenso e uma ou outra faixa de cor na cintura. No mais, tudo é branco na coleção.

Com vestido de post-it e outras boas sacadas, OESTUDIO montou uma coleção batizada de “Atos impensados” que dispara non sense sobre a banalidade aparente, toda ela baseada nos atos automáticos que executamos no cotidiano, como enrolar os cabelos, rabiscar durante um telefonema, estourar plástico bolha, amassar papel e por aí vai.
Tratadas com bom humor, as peças ora colam direto no tema, ora enveredam pelos possíveis desdobramentos desses automatismos, em estampas e elementos de modelagem street wear. A marca se exercita em roupa confortável e sem grandes ajustes. A silhueta não tem o arroubo de volumes construídos nem de curvas repentinas. É levemente quadrada e encurtada, deixa os ombros no lugar para os rapazes e não foge muito disso também para o feminino, liberando algum excesso de material em modelos de calças. O desenho reto da alfaiataria só ganha formas projetadas do corpo meio que de improviso, reiterando o tema pouco convencional dos lançamentos.

Remix prolixo de cultura jovem na coleção Verão 2010/11 da TNG. O ponto de partida são movimentos musicais e de rua dos anos 1950. Com esse norte, a marca cozinhou a sopa de referências, requentando juntos o Mod londrino, a psicodelia das décadas de 1960 e 1970, o movimento punk, a pop art, a new wave dos anos 1980, alguma coisa dos 1990 e o que mais tiver rolado neste período.
Na passarela, o resultado não é tão rico como sugere o texto de divulgação. O repertório citado foi revisto, recombinado e diluído para gerar moda que ambiciona a venda em larga escala. Rendeu jeans claro e eficiente, uma leveza comercial convincente nas peças mais fluídas, alternando modelagem afastada do corpo ou na direção oposta, em paletós e coletes ajustados. A silhueta passeia pelos anos 1980 e se perde em outras décadas. Tem momento de oposições: ampla em cima, justa e curta embaixo. E tem contornos definidos por cintura alta e calça cigarrete. Difícil seria listar o que não tem.
Visto em Usefashion.
Com mais babados, romantismo e volumes fofos que o esperado, o Fashion Rio chega ao 3° dia contaminado por cuidadosa suavidade e desejo de acertar. Os baixos níveis de adrenalina, de uma tranquilidade quase letárgica, só foram quebrados pela zoeira rocker do desfile lotado da Ausländer, ao som da banda canadense Dragonete.
Sai Yamê Reis entra Renata Simon. Com essa movimentação de bastidores definida desde a estação passada, a Cantão imprime direção nova, libertando-se da carga folk em favor de um romantismo equilibrado por sportswear e abordagem nova de elementos açucarados. Os babados, por exemplo, mudam de lugar e os espaçamentos entre eles aumentam.
O recurso esvazia o volume, conferindo novo caimento. As bermudas tipo ciclista mantêm sob controle as vestes alongadas e vaporosas, estampadas com nuvens e sinalizando que o céu é o tema da coleção. A cava e o decote tipo nadador, e alguns zíperes e telas dinamizam o conjunto. Nesse jogo de afofa e seca, a coleção resulta otimista e vendável. Essas sim, características preservadas pela marca carioca em meio a uma grande variedade de materiais: linho, tule, seda, nylon transparente, musseline, tricô, sarja resinada, sarja com aplicação de foil, couro e lona com foil.
Com leve sotaque britânico nos trench coats desconstruídos e nos florais austeros, corroborando a anunciada referência aos jardins ingleses, a Printing passou calma e bonita pela passarela. Os tons são suaves e neutros, com sequências inteiras de off-white, e cores controladas, batizadas de narciso, musgo, miosótis e hibisco. Sobre chiffon, cetim, organza, jacquards, e seda, a Printing entra com os bordados preciosos que sabe fazer tão bem. Nas primeiras entradas, os volumes se acumulam na parte superior, em moulages sem exageros. Saias e calças ficam perto do corpo. Logo depois, toda a silhueta é solta com delicadeza, voltando aqui e ali aos detalhes estruturados. Mais uma coleção que opta pelo seguro, o que parece ser a tônica dominante nesta edição.
A Maria Bonita Extra de sempre e ainda assim revigorada. Foi essa a impressão deixada pelo desfile romântico, salpicado de mangas bufantes e laços, também citando jardins e calma como fonte de inspiração. Para corrigir o rumo e não enjoar, a marca emprega recursos semelhantes aos usados por outras até agora: alterna looks enxutos e lânguidos, entra com peças ajustadas em meio às soltinhas, secando partes da silhueta. Também introduz zíper aparente e ensaia casacos leves, semiestruturados e de alma utilitária. A opacidade do linho resinado e a translucidez da organza desempenham esse mesmo papel. Se exercitando de um lado e outro, a coleção emplaca mais uma vez a poesia discreta das garotas bem comportadas.
Sala totalmente cheia, pessoas em pé, atraso e alguma confusão: tudo para ver a Ausländer, mas também para ver a banda canadense Dragonette, que fez a trilha ao vivo e a cores do desfile da marca carioca. Na passarela, elementos de tribos variadas, com edição partindo de looks diurnos e claros até aportar em noites agitadas e mais sombrias. A coleção gira em torno do universo dos festivais de música acima da linha do Equador, e a grife aproveita a deixa para afinar o DNA de marca jovem, cortejando a diversidade de público e gostos musicais.
Para o elas, saias e vestidos justos e curtos, na linha “vestiu e está pronta”. Os shorts são bem resolvidos, agradam ao público da marca, e a combinação de saia godê com cintura alta e camiseta é perfeita para quem deseja fugir do império dos vestidos. Para o eles, bermudas com blazer, nada muito justo e agasalhos leves de nylon para o dia. O clima fica mais denso com jeans puídos, coletes e jaquetas grafitados em preto.
Anos 1970, bruxas e sacerdotisas contemporâneas em cortejo esvoaçante pela passarela da Alessa. Na moda tudo pode, tudo deve poder. Entretanto, a década de 1970 assim, literal, soa tão particular, que não sei… Os plissados são bonitos, e as pedras recortadas – resgatadas do limbo das lojas de souvenir – para a dignidade dos grandes colares é bacana. Enfim, Alessa é Alessa. Consegue estampas de qualidade e faz o que quer de maneira contagiante. Então, vamos aos cabelões frisados, caftans e aos vestidões sem fim.
Visto em Usefashion.






















