Triya, Lucas Nascimento, Andrea Marques, Teça, New Order e Isabela Capeto

O safári e a savana africana marcaram a estreia da Triya, grife de moda praia, no Fashion Rio. O trio que assina a coleção, Isabela Frugiuele, Bebel Fioravanti e Carla Franco, pegou pesado nas estampas animais e no tribalismo que ronda as tendências do vestuário. As tiras multiplicadas, abraçando os ombros, descendo pelas costas ou escorrendo de decotes tipo coleira, ou ainda duplicadas nas laterais de biquínis, são responsáveis pelos melhores momentos.

Participante da semana de moda carioca pela 2ª vez, Lucas Nascimento saiu-se bem como na estreia. Os formatos são minúsculos, com vestidos e conjuntos de saia e blusa e com medidas calculadas em centímetros de um tricô improvável pela leveza dos fios e da execução.  Os pequenos volumes, dispostos sobre a roupa, que de tão justa é quase um body, também são discretos, mas valorizam a textura das superfícies. Esse é um dos pontos altos de seu trabalho.

Outra nota forte fica por conta do radicalismo. É óbvio que várias daquelas peças e tamanhos não são viáveis, mas por deixar isso claro, os vestidos “difíceis” dele ascendem a outra categoria, a de projetos conceituais consistentes, com potência para falar do que o estilista é capaz de fazer e de como ele faz. A ideia está vendida. O resto vem depois. Outros vestidos nessas proporções proibitivas passaram por aqui alheios à sua real condição, tão distraídos na impropriedade que não convenceram. Aqui, esse não é o caso.

Livre da condição de ex-Maria Bonita Extra, Andrea Marques prova que muito da graça da marca que deixou para trás era a graça dela. Nesta estação, foi o calor dos trópicos que aguçou a imaginação da estilista, mas não lhe roubou o senso de equilíbrio característico. Muito menos a feminilidade doce que ela consegue expressar sem excessos até mesmo na alfaiataria.

Andréa encontrou no sol, nas plantas e em demais elementos dessa cadeia natural as referências para uma coleção correta, que se apropria de maneira particular das tendências apontadas para o verão. Para garantir a assinatura, ela regou o gosto tropical com o romantismo enxuto. Não é uma coleção de mudar o mundo. Mas funciona e é também bonita e honesta.

Militarismo light no desfile da Têca. Todo o peso foi aliviado pela conexão com a presença militar no nordeste dos anos 1940 durante a 2ª Guerra Mundial. O calor extremado da região e os uniformes provavelmente tiveram que entrar em acordo na época, e é essa nota que a coleção assume, colecionando alguns bons acertos e vestidos desejáveis.

Além da depuração formal, a mistura mais visível é com as estampas florais. Em seguida, entram rendas brancas e cores, refrescando de vez qualquer traço de agressividade. Na moda, militarismo é só imagem e gosto pelo senso utilitário. A modelagem funcional dos uniformes e acessórios, destinados a situações extremas, fascina criadores e públicos como resultado estético e prático de uma tecnologia. E é só isso. A belicosidade passa bem longe das passarelas.

Com a responsabilidade de ganhar público e crítica e repetir o feito alcançado na estação passada, a New Order foi a penúltima marca a desfilar. Florida, trouxe também estampas de insetos e planta carnívora, que alinharam a coleção com modernidade, não olhando para o passado. A marca misturou padrões e abusou deles tanto nas peças de roupa, sempre enxutas e interessantes, quanto nos acessórios. Entre eles, tênis e sandálias de cano alto, tamancos, flip flop estampadinho, bolsas e mochilas de muitos tamanhos e formatos. Deu certo.

Isabela Capeto re-encontrou o Rio depois de 6 anos desfilando em São Paulo e trouxe moda ultradecorada para celebrar a ocasião. O apreço da estilista pelos anos 1970, babados pelas flores e artesanias é notório, como também é de conhecimento que, gradativamente, e com mais ou menos êxito, ela imprime a esse repertório uma camada de sofisticação crescente.

Essa trajetória atinge um estágio notável na estação. Os bordados têm um preciosismo a mais, as cores idem, e Isabela obtém uma variação de texturas com materiais como a ráfia, que são de encher os olhos. Alguns shapes dos anos 1960 e 1980 corrigem os cortes previsíveis da década de 1970 e acrescentam alguma graça à modelagem, em comprimentos mais curtos, evasês e godês, que dão balanço ao conjunto. No mais, é tudo sobre superfícies ricas e movimentadas, com dourados, turquesas, conchas e corais em profusão.

O desfile encerrou o Fashion Rio. E fechou bem, com moda bonita de se ver e que aprofunda, para o bem e para o mal, a ideia de brasilidade relacionada aos elementos exuberantes, coloridos, e beirando a condição de alegorias.

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Blue Man, Filhas de Gaia, Cavendish, Melk Z-da, OESTUDIO e TNG

Mais que um recurso de impacto, os jogos entre opostos (romantismo e secura, curvas e retas, efeitos vaporosos e estruturados), que têm marcado as apresentações, configuram desejos nítidos de experimentação. Funcionam como um passo para frente e outro para trás, sem que ninguém se afaste muito da zona de segurança. No 4º dia, quem fugiu à regra foi Melk Z Da, que se aprofundou em todas as direções que escolheu, e OEstudio, fiel no mergulho à identidade singular e engenhosa.

No pequeno Teatro Gláucio Gil, foram necessárias duas apresentações para acolher jornalistas e o público que compareceu para prestigiar a Blue Man. Em seu retorno à temporada carioca, a marca apostou em formato intimista, mas em grande estilo, acompanhada pelo violonista Yamandú Costa, a voz de Ney Matogrosso e o barulho dos saltos das dançarinas flamencas. Ney aproveitou a deixa para lançar olhares e trejeitos para os rapazes de sunga, e ganhou a plateia.

A pegada andaluz é resultado de uma viagem da estilista Marta Reis para Sevilha e Granada. Sobre básicos do beachwear, Marta concentrou-se nos decotes, nas fendas estratégicas e no tamanho reduzido de algumas peças, tendência tímida que começa a emergir por aqui. Para os rapazes, bermudas e material extra para as sungas, criando leves drapeados, e deixando a peça mais sensual que de costume.

Oposição entre materiais armados e fluídos, de opacidade e transparências, e as grandes aranhas negras passeando sobre a roupa configuram o melhor do desfile da Filhas de Gaia. O pano de fundo mais uma vez são flores e jardins, tendência onipresente neste Fashion Rio. Marcela Calmon e Renata Salles entram com o toque dissonante dos insetos repulsivos, e o truque das diferenças justapostas, vai um tanto mais longe do que a forma que têm passado por aqui.

Para a Cavendish, a busca pelo paraíso é o mote do verão. Formas secas, acabamentos arredondados e cores vibrantes deram o tom da coleção. Como se trata de moda “made in Rio”, a referência ao mar transborda em peixes, bordados e estampados. Inevitável, quando o próprio verão é a maior das inspirações e no release estão citados areia, beira da praia, rede de pesca, calor, pássaros coloridos, ilha deserta, pôr-do-sol, futebol, folhas de palmeiras e por aí vai. A tradução se dá em silhuetas ajustadas, que dispensam volumes alienígenas à anatomia, e assumem modelagens retas, só quebradas por evasês discretos, jabôs, babados e recortes no corpo da peça.

Sem a preocupação de mostrar moda pronta para o consumo, Melk Z-da ensaia voos arriscados e se sai bem nas construções complexas e detalhadas. Outra qualidade vem do trato com os materiais, que rege com competência em registros diferentes de textura e peso. O estilista é de Pernambuco, e uma singularidade dele é dizer de onde veio sem recorrer a alegorias.

Desta vez, são as danças folclóricas que dão substancia à coleção, revelando os laços estreitos com a cultura popular. O reizado, uma dança profana religiosa, a marujada que é exclusividade das mulheres, e o cavalo marinho, uma simbiose de teatro, música e poesia servem de mote para um exercício no mínimo audacioso de moda. De colorido, apenas um vestido vermelho intenso e uma ou outra faixa de cor na cintura. No mais, tudo é branco na coleção.


Com vestido de post-it e outras boas sacadas, OESTUDIO montou uma coleção batizada de “Atos impensados” que dispara non sense sobre a banalidade aparente, toda ela baseada nos atos automáticos que executamos no cotidiano, como enrolar os cabelos, rabiscar durante um telefonema, estourar plástico bolha, amassar papel e por aí vai.

Tratadas com bom humor, as peças ora colam direto no tema, ora enveredam pelos possíveis desdobramentos desses automatismos, em estampas e elementos de modelagem street wear. A marca se exercita em roupa confortável e sem grandes ajustes. A silhueta não tem o arroubo de volumes construídos nem de curvas repentinas. É levemente quadrada e encurtada, deixa os ombros no lugar para os rapazes e não foge muito disso também para o feminino, liberando algum excesso de material em modelos de calças. O desenho reto da alfaiataria só ganha formas projetadas do corpo meio que de improviso, reiterando o tema pouco convencional dos lançamentos.

Remix prolixo de cultura jovem na coleção Verão 2010/11 da TNG. O ponto de partida são movimentos musicais e de rua dos anos 1950. Com esse norte, a marca cozinhou a sopa de referências, requentando juntos o Mod londrino, a psicodelia das décadas de 1960 e 1970, o movimento punk, a pop art, a new wave dos anos 1980, alguma coisa dos 1990 e o que mais tiver rolado neste período.

Na passarela, o resultado não é tão rico como sugere o texto de divulgação. O repertório citado foi revisto, recombinado e diluído para gerar moda que ambiciona a venda em larga escala. Rendeu jeans claro e eficiente, uma leveza comercial convincente nas peças mais fluídas, alternando modelagem afastada do corpo ou na direção oposta, em paletós e coletes ajustados. A silhueta passeia pelos anos 1980 e se perde em outras décadas. Tem momento de oposições: ampla em cima, justa e curta embaixo. E tem contornos definidos por cintura alta e calça cigarrete. Difícil seria listar o que não tem.

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Redley, Claudia Simões, Totem, Graça Ottoni e Lenny


Entre as propostas para rapazes e garotas, Redley não mostrou discordâncias, a não ser nos pontos óbvios. Em termos de estilo, tudo converge bem, da cartela aos materiais  e aos cruzamentos de sufwear, alfaiataria e streetwear. Tem gente nova no departamento de estilo e não há como isso não se refletir na passarela. Uma maior descontração talvez e toda esta jogada de oposições entre tecnologia e naturalidade, vazados e cheios, lisos e estampados, formal e informal. Nada muito complicado, nem para o feminino, nem para o masculino, mas eficiente e seguro. As meninas usam belos macacões, folgados e sedosos, e saias altas e curtas. Os rapazes, bermudas bem bacanas e a camisaria deles é de dar vontades de ter. Todos usam casacos vinílicos, ultrapolidos e com bom efeito de passarela.

Tribal chic com pitadas militares mais alfaiataria bacana. A mistura rende roupa sem grandes volumes no desfile da Claudia Simões, correta e contida dentro das formas retas dos anos 1960. São preciosos os bordados complexos e interessantes as vestes alongadas sobre legging e bermudas curtas. Os casaquinhos leves e elegantes agradam em cheio. A citada referência ao pintor e escultor espanhol Palazuelo (1916-2007) diluiu-se na cartela, em alguma geometria e na estamparia digital. A coleção passa ao largo do calor do verão e põe na roda looks bem comportados, com jeito de meia estação.

Omar Salomão é filho do Wally Salomão, e esta é uma bela credencial para o vocalista da banda Vulgo Quinho & os Cara, que encheu de música o animado desfile da Totem. Tropicalidade com linhagem é isso aí, algo que faz parte também do DNA dessa marca carioca da gema, setentista de carteirinha, e que faz moda dentro do pacote completo do colorido, ensolarado, estampado, descontraído e confortável. No feminino, apresentou chemises bacanas, saias curtas com amarrações e vestidos imbatíveis. No masculino, shorts soltos, usados com camisas quase túnicas, e um bonito e inesperado cardigã. Passou bem, particularmente, na junção das estampas de cores vivas, grafismos acertados e margaridas grandes.

Com Pierre Verger e paisagens vazias em mente, Graça Otoni abriu com um imenso e esvoaçante chemisier branco, e engatou calça ampla e camisa mostrando silhueta farta, leve e radicalmente branca. A partir daí, desfiou seu repertório de suavidades e aparentes improvisos das formas, que ela sustenta meticulosamente, na verdade. Sobre o branco imaculado, as estampas surgiram como vestígios esmaecidos em gradações do cinza. Cor que aparece em vestidos e conjuntos de blusa alongada e short de barra enrolada. Ao final, looks negros e fragmentos de renda, fechando o ciclo de contaminação da pureza inicial.

A grife de moda praia Lenny encerrou o 2º dia com apresentação impecável. Desta vez, o traço característico de arquitetura modernista cedeu lugar para as linhas suaves e arredondadas de dunas do deserto e para elementos tribais, conferindo um toque acalorado e orgânico à coleção. No controle de materiais tido como inadequados, inclusive chamois, a marca não apenas confirma, mas apura a excelência e, de quebra, sedimenta a do incensado beachwear nacional. Também na Lenny, e ainda timidamente, surgiram biquínis menores, daqueles que andavam longe das passarelas. Ficou bacana a tenda montada com a mesma lona que cobria a passarela.

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Walter Rodrigues, Nica Kessler, Mara Mac, Salinas, R.Groove e Acquastudio


Entre tapumes coloridos e referências africanas, Walter Rodrigues apresentou modelagem simplificada e linguagem visual elaborada. Principalmente nas apropriações coloridas de geometria tribal, aplicadas sobre vestidos fáceis e desejáveis. O casting 100% negro reacendeu um dos assuntos quentes da moda nacional. Os comprimentos e silhuetas são discretos, com vestidos secos funcionando como suporte para os motivos geometrizados. Essa contenção é assinatura do estilista. Assim como a pouca e boa alfaiataria que deu sustentação à leveza e despretensão elegante do conjunto. Os belos bordados, tramas e apliques têm a mão e a destreza de mulheres do projeto Pernambuco com Design, da cidade de Quipapá.

Anos 1930 e a bem cuidada arquitetura Art Deco de Miami (no Brasil ela anda literalmente em ruínas) deram forma e substância à coleção da estilista Nica Kessler. Ela foi concebida para garotas jovens e sexies, de longos e provocantes rabos de cavalo. Looks muito curtos e justos, alguns deles quase inviáveis, mas nem por isso desinteressantes como imagem de passarela, definiram a silhueta. A modelagem é exercitada sobre as curvas do corpo, explorando decotes, ombros vazios e cintura alta, com bom domínio técnico. Tome nota das estampas geométricas e das hotpants que prometem fazer a delícia dos corpos em forma neste verão.

Deslocando o impacto das apresentações para a teatralidade, com cubos vermelhos em suspensão e queda sobre toda a passarela, com assinatura da Bia Lessa, Mara Mac desfilou os exercícios formais rigorosos, de corte elegante e tropicalidade idealizada, que a clientela fiel aplaude com gosto. O peso da tradição modernista oferece um repertório consistente, define um traço estilístico e sustenta uma longevidade considerável, qualidade e condição raras no país. A contrapartida é que ela corre o risco de se manter excessivamente atrelada a si mesma. Perigo driblado nesta edição com a ajuda de texturas e transparências em camadas, de refinada investigação têxtil.

Tropicalidades cubanas e baianas, com sotaque da mãe África, entraram na bem-sucedida receita da Salinas. Em desfile sublinhado por musicalidade e ritmo, um tanto de inocência e um bocado de malícia deram o tempero final, e estava pronto o saboroso prato servido pela marca, muito bem colorido pelas estampas de paisagens e abacaxis. Carol Trentini fechou com listras e Ana Cláudia Michels, bela como sempre, mostrou a força dos monocromos em vermelho-fechado. Os formatos, segundo a Salinas, agora podem até ser menores.

R.Groove prometeu e cumpriu, levando uma salada de estilos para a passarela. A marca foi a única a apresentar roupa masculina no 1º dia. Em looks claros, retalhados e coloridos, preferiu contemplar ousadias do que atender a mesmice. Quem se arrisca erra, mas quando gosta de verdade do perigo, valida a experiência. E não são as misturas difíceis e os rosados improváveis que irão esconder os méritos da apresentação. É interessante ver como a alfaiataria, principalmente nos blazeres alongados usados com calças curtas, confere musculatura à ainda um pouco verde, mas cheia de vontade, R.Groove.

Trafegando em direção contrária à vocação comercial das temporadas de moda brasileira, Acquastudio tomou o rumo do experimentalismo há algumas estações. A marca emprega o domínio técnico exercido nos vestidos de noiva para soltar a imaginação na passarela. Causa espanto e divide opiniões. De toda forma, esta liberdade de testar limites merece crédito.  E se é verdade que nem sempre o que se vê soa exatamente como novo, é de longe mais interessante que a monotonia de vestidinhos básicos e blusinhas com shorts, desfilados inadequadamente sob o aparato que cerca um espetáculo de moda. Resumo radical: Bruna Tenório muito linda na abertura, organza e tule em camadas, volumes, off-white, cores elétricas. Tudo sobre salto alto e meia-pata em acrílico.

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Em uma das imagens, top brasileira esconde os seios com as mãos

Isabeli Fontana é a estrela da “Vogue” México de abril. A top brasileira foi clicada para a publicação pelas lentes do badalado fotógrafo Jacques Dequeker para um ensaio em 3D.

Em uma das imagens, a top brasileira aparece com um provocante biquíni de listras e bolinhas. Já em outra foto, a namorada de Marcelo Falcão aparece apenas com jóias e cobrindo os seios com as mãos.

Visto QUEM

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Top posou para o calendário de verão da marca inglesa Next.

Estranho seria ver um ensaio de Izabel Goulart totalmente vestida, não é mesmo? A top posou mais uma vez de lingerie e biquíni para o calendário de verão da marca inglesa Next.

Visto EGO

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Modelo é capa da revista Homem Vogue

Isabeli Fontana é a estrela da edição deste mês da revista “Homem Vogue”. Novas fotos para o ensaio caíram na internet e acabaram fazendo a alegria dos marmanjos de plantão. Em algumas fotos, a top aparece nua e exibe seu corpo perfeito. Os cliques foram feitos por Jacques Dequeker.

Visto na Revista QUEM

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A estrela da campanha, como vocês viram no post abaixo, é a top model holandesa Doutzen Kroes. Doutzen é uma das modelos mais requisitadas do momento e também é uma das angels do time da Victoria’s Secret. A top fotografou a campanha no Brasil em meados de outubro as peças assinadas por Amir Slama para a C&A.

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O verão já está nas vitrinas e nas revistas de moda. Com isso, mulheres de todo o Hemisfério Sul observam com olhar interessado o que os estilistas propõem para os próximos meses. Estampas selvagens, cores neon e peças de alfaiataria figuram entre os objetos de desejo para a estação do calor.

Aqui, diversos estilistas dão dicas do que estará em alta na próxima estação. Aproveite!

::: De todas as tendências deste verão, sem dúvida a que mais tem a ver com as brasileiras é a das flores. Estampas grandes, miudinhas e até carregadas de folhagens são a cara do calor nacional. E, já que prints e aplicações dão tom, as peças são mais discretas quanto à construção.

::: Estilistas apresentaram em suas coleções peças em tons fluo, os queridinhos deste verão. Muito já se viu deles em outras estações, mas a ordem agora é brilhar cada vez mais, seja com um peça principal, seja apenas como um ponto de luz no look. Para brincar com o clima dos anos 1980, escolha uma ou mais tonalidades e arrase na temporada de calor.

::: Para quebrar a austeridade do look de alfaiataria e garantir um toque mais feminino, vale arredondar as formas, marcar os ombros ou definir a cintura. Drapeados, babados, sobreposições de tecidos e pregas ajudam na tarefa de deixar tudo com jeito de menina.

::: Os biquínis estão cheios de referências sofisticadas, como modelagens e recortes inusitados. As pesquisas de estampas se traduziram em prints selvagens – destaque para zebra, onça e cobra. Se preferir um conjunto liso, invista nos tons fluo, para realçar o bronzeado, ou em cores sólidas, como azuis e verdes

::: Ícone de estilo de todas as décadas, o safári urbano é mesmo um clássico. Entra ano e sai ano, o que se vê nas passarelas e ruas é essa mescla de tons terrosos com outros naturais e estampas de bichos. Tendo a evolução das espécies como foco nesta temporada, a tendência valoriza formas e materiais orgânicos e silhueta mais reta ou levemente ajustada na cintura. Tecidos como algodão, linho e couro dividem o espaço com peças em malhas de bambu repaginadas, que aparecem menos infantis e mais sensuais.

Visto Clicrbs

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tendencia

O amarelo foi a cor do Verão e o vermelho será a do Inverno. A emoção e a consciência ambiental estão na ordem do dia. É o que ditam as tendências. Para a Moda e não só. Mas de onde surgem estas orientações? Quem as determina? E porquê?

Antevisão
Qual irá ser a cor da moda? O que se vai usar na próxima estação? Qual é o produto do momento? Hoje, cada vez mais pessoas e empresas estão pendentes das tendências, quando até há bem pouco tempo isso era uma preocupação quase exclusiva dos industriais têxteis e do pronto-a-vestir.

O termo ‘tendência’ está a cada dia mais presente no nosso vocabulário e na nossa vida quotidiana. Pelo menos nos grandes centros urbanos das sociedades ocidentais em que vivemos.

Das passarelas as imagens saltam para as páginas das revistas para revelar o que nos fará mais bonitas e fashion a cada estação. Quisemos percorrer o caminho inverso. Num mergulho profundo no universo da moda e dos produtos de consumo fomos em busca de descobrir como surgem estas tendências, como tomam forma e quem as molda. Como uma verdadeira caçadora urbana, Paula Horta circula pelas ruas de Barcelona munida das suas indispensáveis armas: um bloco de notas, uma máquina fotográfica digital e a enorme curiosidade que muitas vezes a impele ao contacto directo com os seus objectos de observação, mal os identifica. São adolescentes ou jovens adultos que por alguma razão se destacam dos demais, mesmo que seja por um mero detalhe ou adereço personalizado.

Paula veste-se com discrição e dificilmente se destaca na multidão. Isso facilita a sua postura como observadora e torna-a menos ameaçadora quando decide aproximar-se dos seus alvos. Ela é uma coolhunter (ver caixa), atenta aos pequenos grupos, às pessoas que usem algo com um potencial de vir a ser massificado, e trabalha para o The Intelligence Group, uma empresa de marketing e de trend forecasting com sede em Nova Iorque, mas com um exército de caçadores – ditos international reporters – espalhados por todo o planeta. Para além de coolhunters, estas pessoas desempenham também a função de trendspotters, atentas aos comportamentos, ao sentido para onde caminham as tendências no local onde estão situadas, ao que ali se consome e ao que atrai a atenção do público em geral. O seu trabalho todos os meses é diferente mas, essencialmente, todos têm como tarefa destacar no mínimo duas tendências que sintam que estejam a aflorar nas cidades em que se encontram. O material recolhido e compilado é depois analisado nos escritórios centrais por antropólogos, sociólogos, especialistas em marketing e em outros sectores ligados ao consumo e aos novos negócios.

Portuguesa, licenciada em Ciências da Comunicação e especializada em Publicidade, Paula Horta fazia o mestrado em Cultura Visual em Barcelona quando surgiu a oportunidade de fazer este trabalho. Dificilmente seria recrutada para fazer o mesmo em Portugal, destino que nem sempre desperta o interesse destas empresas de marketing e tendências pelo seu tamanho reduzido, pela sua posição periférica e pela limitação da sua influência em outros mercados. Em Espanha, ao contrário, o mercado é maior e estende-se aos países da América Latina de expressão espanhola. E Barcelona é um centro cool por excelência, carregada de estrangeiros e onde fervilha o cenário cultural.

Paula rapidamente se identificou com a actividade que agora desempenha e já não consegue pôr os pés na rua sem observar tudo e todos. Para executar bem o seu trabalho necessita de uma visão apurada e de uma boa capacidade de análise. “É fundamental que consigamos abstrair-nos dos nossos gostos e crenças habituais. Isso não interessa para nada neste trabalho. O importante é conseguirmos anali-sar o que nos rodeia”, comenta. As ruas são o seu campo de trabalho, mas não só. Os eventos de arte, música, as feiras de moda, entre outros acontecimentos, também o são, assim como os blogs, os sites da Internet, os jornais e as revistas em geral. “Sou uma verdadeira junkie das revistas”, confessa.

As tendências, então, não surgem da cabeça de ninguém. Nascem nas sociedades em que vivemos, dos pequenos adereços, dos gestos isolados de grupos restritos, das opiniões quase anónimas mas que catalizam a atenção de muitos, dos pequenos negócios criativos que despontam aqui e ali, de tudo o que se vê e se faz de forma diferente e inovadora, mas também da forma como as sociedades se comportam. Um artista underground, o designer do momento, um músico, um DJ, actrizes e actores, o autor de um blog, uma jovem na rua… Qualquer um pode ser um trendsetter (ver caixa) desde que se destaque na multidão ou desperte o interesse dos demais e que, de alguma forma, a sua atitude ou opinião reflicta as ansiedades do momento.

“Eu não descubro nada novo”, afirmou a respeitada investigadora de tendências holandesa Li Edelkoort numa entrevista publicada no site da Symrise, grande produtor alemão de fragrâncias e sabores. “Observo e interpreto o comportamento e o estado de espírito das pessoas, e aponto o que vejo. Actuo como uma catalizadora do espírito do momento e transformo-o em tendência o mais cedo possível.” Li Edelkoort busca constantemente respostas para perguntas como: Como será a nossa vida no futuro? O que irão querer as pessoas? Que desejos e necessidades terão? Que características um produto deverá ter para alcançar o sucesso no mercado? Como inspiramos as pessoas a comprar coisas?

Mas como é que tudo isso surgiu? Depois da Segunda Guerra Mundial houve um incremento do pronto-a-vestir. Na década de 60 verificou-se uma grande democratização de hábitos e a indústria do vestuário deu um salto significativo. Com isso, houve não só a necessidade de modernizar-se como também de ajustar a produção a uma quantidade crescente de consumidores assim como aos seus gostos. Prever quais seriam os produtos preferidos do público significava assegurar que não haveria ruptura de stocks, ou seja, que as peças não iriam esgotar-se ou não faltaria matéria-prima para as produzir. Assim, a opção foi, “em vez de trabalhar da fábrica para o mercado, fazer o sistema inverso, do público para a fábrica, a partir de uma observação mais atenta das pessoas, dos seus hábitos, da arquitectura e de diversos outros fenómenos socioculturais”, observa Greta Statter, consultora de moda e de tendências de estilo de vida.

Surgem nessa altura os primeiros observadores de tendências. Eram, em geral, pessoas viajadas, com boa bagagem cultural e interesse pelo mundo da moda, que davam indicações a nível da gama de cores a ser utilizada e que desenhavam alguns esboços de formas e modelos. Nessa altura são criados também os primeiros cadernos de estilo. “Françoise Vincent foi, provavelmente, a primeira a fazer um mapa em que cruzava circunstâncias económicas, históricas, políticas e artísticas”, comenta Greta Statter. Em 1966, Françoise Vincent, com o apoio de industriais franceses, criou a Promostyl, um dos mais antigos gabinetes de estilo, que hoje compartilha o cenário e a influência com outros gabinetes como o Peclers Paris, a Agence de Style Nelly Rodi, o Studio Edelkoort, entre os mais tradicionais, assim como com as mais jovens empresas de investigação e inteligência (intelligence companies) como a Faith Popcorn’s Brainreserve, a Look-Look e a The Intelligence Group. “Estes gabinetes cheiram o l’air du temps e são capazes de discernir o que vai ser importante para o futuro”, aponta Greta Statter.

E da mão-cheia de sugestões dos primeiros tempos, o trabalho dos observadores de tendências foi-se tornando cada vez mais complexo. Ainda que os métodos de trabalho nem sempre sejam exactamente os mesmos, hoje pouco diferem dos utilizados inicialmente. Baseiam-se nas viagens e compras no estrangeiro, sobretudo quando se trata de gabinetes dentro das empresas de produção, ou em profissionais estrategicamente situados em distintas partes do globo, no caso dos gabinetes de tendência particulares. Contam com uma boa dose de intuição mas também com o apoio de profissionais vocacionados para analisar a sociedade e o significado dos sinais recolhidos.

O trabalho não se resume a observar as pessoas na rua para, mais tarde, desenhar para elas. Vêem-se os trabalhos de designers, artistas plásticos, arquitectos e outros criativos de cada local. Por isso fala-se cada vez mais de lifestyle – fenómeno mais global – que alia também urbanismo, arte e design”, refere Pedro Marques Mendes, representante da Promostyl em Portugal. E acrescenta: “Nesse âmbito, Portugal tem alguma coisa para oferecer – temos boa afirmação internacional sobretudo a nível da arquitectura e do design de equipamentos.” Pedro Marques Mendes destaca os designers Fernando Brízio, Miguel Vieira Baptista e Ricardo Ralhete, “que não são produtores em grande escala mas são observados e influenciam”. Destaca também Siza Vieira e outros arquitectos nacionais. E, no âmbito da moda, chama a atenção para Felipe Oliveira Baptista, Pedro Waterland e Luís Buchinho. “Os gabinetes de tendências já repararam neles.”

A Concertação Internacional da Cor acontece em Paris todos os anos, duas vezes por ano, desde há mais de duas décadas. Este é um dos grandes acontecimentos a nível das tendências e reúne gabinetes de estilo, estilistas independentes, fabricantes de pigmentos, industriais têxteis e as suas associações. Neste encontro define-se a gama de cores para cada estação. “Hoje já estão disponíveis as cores para o Inverno de 2009/2010”, observa Pedro Marques Mendes. “As decisões levam em conta o gosto do público mas também outros interesses em particular, como promover uma determinada cor – um pigmento que não se usa há muito tempo ou que é muito caro, por exemplo”, observa.

Pedro Marques Mendes traça o caminho destas decisões. “Definida a gama de cores, as associações informam os seus membros e os gabinetes de tendências fazem o desenvolvimento criativo dos usos desta gama.” Os cadernos de estilo/tendências produzidos pelos gabinetes de tendências são, na sua maioria, o cruzamento final do trabalho de campo e a sua respectiva análise com a gama de cores. São publicados, na grande maioria dos casos, cerca de duas vezes por ano, com previsões com dois ou três anos de antecipação. Esses cadernos apresentam cores, texturas e formas para cada estação, mas com a preocupação de abarcar os vários públicos-alvo – mulheres, homens, crianças, jovens, estilos de vida, conceitos, entre outros. Para melhor ilustrar as tendências que referem, recorrem a diversos elementos: amostras de tecido e de outros materiais de produção, esquissos de modelos e objectos, recortes de imprensa e retratos de personalidades de interesse (artistas, designers, arquitectos, estilistas e opinion makers, por exemplo).

Se inicialmente este era um serviço prestado quase exclusivamente para a indústria têxtil e de pronto-a-vestir, hoje é almejado pelos mais variados sectores de produção – dos cosméticos à decoração, dos automóveis aos telemóveis, dos alimentos aos restaurantes e hotéis. Empresas como a Swatch, a Fiat, a Dupont, a Nokia, a Renault, e tantas outras, compram esta informação, estendendo a influência a um amplo leque de produtos de consumo e não apenas à moda.

“Este serviço torna-se cada vez mais indispensável para a sobrevivência de marcas e empresas. São raras as que não compram estes indicadores de tendências e há mesmo empresas que recorrem aos produtos de mais do que um gabinete”, afirma Pedro Marques Mendes. O gabinete que representa lança 15 cadernos diferentes por semestre e há quem invista a sério e os compre todos.

A informação dos gabinetes de tendências é a base de trabalho para as direcções de design e marketing das empresas clientes. As de design cruzam-na com as suas experiências pessoais e desenvolvem os produtos com um cunho próprio. As de marketing trabalham nas estratégias de produto, nos conceitos a utilizar para a sua promoção.

Mas a necessidade das tendências tem também a ver com outros factores económicos. “O capitalismo é, por definição, um sistema que aspira à expansão – dos lucros e, por arrastamento, dos mercados. Para sobreviver, tem de se renovar e, para se renovar, é necessário garantir o fluxo contínuo, quando não a expansão, do que é produzido, isto é, do consumo. Uma das formas de garantir que vamos comprar mais um par de calças consiste em garantir a obsolescência – pelo menos relativa – das que já possuímos”, explica Ana Brandão, assistente do Departamento de Sociologia do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho, que integra uma das equipas de investigação do Grupo de Cultura e Estilos de Vida. De acordo com esta socióloga, “a moda cumpre o papel fundamental de garantir essa obsolescência que assegura o consumo na medida em que procede à revisão contínua da ‘adequação’ desses produtos. Deixamos de vestir o que não está na moda”.

Essa obsolescência passa pelo aproveitamento de necessidades elementares do ser humano – como a necessidade de pertença e de singularidade – para promover a expansão das áreas de negócio. “Os produtos de consumo geral e a oferta cultural são elementos constituintes dos estilos de vida. Não nos distinguimos ou assemelhamos socialmente apenas pelo que vestimos mas também pelo que fazemos, pelo que comemos, pelos espectáculos a que assistimos… O que o capitalismo faz é explorar aquelas necessidades básicas pela identificação de novas áreas de aplicação das suas técnicas”, comenta a socióloga.

A sociedade está mais complexa, é verdade. E as tendências confortam. “As marcas passam a ser como famílias”, declarou o guru das tendências David Shah, numa entrevista dada à revista Época brasileira. De acordo com este especialista, as pessoas passaram a criar identidade por tribos. “Não importa a sua nacionalidade, se você usar um traje de Yohji Yamamoto como eu, nós pertencemos à mesma tribo.” Shah explica que hoje já não existem mais trabalhos para toda a vida, as ideias tradicionais de casamento e família parecem desaparecidas. “Por isso estão tão interessadas nas tendências: porque não sabem o que vai acontecer com o mundo. As marcas passaram então a tentar desenvolver um relacionamento com o seu consumidor, construindo um elo emocional. “Antecipar tendências consiste, basicamente, em prever as possibilidades de desenvolvimento futuro – em termos profissionais, de moda, etc. – com vista a, de algum modo, estabelecer uma relação securizante face ao próprio futuro antecipado. É, neste sentido, uma tentativa de lidar com o elemento imprevisível, de reduzir a consciência do risco, ou, pelo menos, a ansiedade que lhe está associada”, refere a socióloga Ana Brandão.

E o que marcará os novos tempos? As tendências decorativas, o biológico e o tecnológico são os conceitos do futuro próximo. É no que acredita Pedro Marques Mendes. Paula Horta acredita também na costumização dos produtos. “Uma forma de transformar um produto massificado em único”, observa.

Tudo o que vem da natureza terá um espaço privilegiado, desde as cores às formas de fósseis, defende o grupo Edelkoort. De acordo com a investigadora holandesa, pressente-se o ressurgimento dos produtos locais, assim como da cozinha regional. “Estamos cansados de ver as mesmas marcas por todo o mundo, estejas em Nova Iorque, Tóquio ou São Paulo.” As novas marcas conquistarão alguma frescura se combinarem os seus produtos de cariz global com um toque local.

O guru David Shah acredita que estamos a entrar numa nova fase de comportamento dos consumidores, que denominou Nu Austerity (nova austeridade). “O comprador de moda, antes preocupado com a imagem de ostentação, passou a preocupar-se com questões maiores como a sustentabilidade, as alterações climáticas, a pobreza global, o comércio ético, etc.”, escreveu na última edição da revista Textile View, publicação especializada em tendências da qual é responsável.

A procura do significado é o que aponta Anne Lise Kjaer, do gabinete de tendências Kjaer Global. “Acredito que a busca do significado será o propulsor nuclear do século XXI para as sociedades ocidentais, uma sociedade imbuída com uma tremenda escolha material e carregada de uma abundância sem significado”, escreveu para a mesma edição da revista Textile View. A especialista aponta para os produtos potenciados pela emoção e a ética como o meio para chegar com significado às pessoas no futuro.

Visto Modamaistyle.blogspot.com

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