No 2º dia de desfiles do Dragão FashionMadame Surtô levou à passarela o tema “Olhar viajante: olhar para frente, para trás e para dentro”, em uma coleção com forte influência folk. Trouxe diversidade de culturas e etnias nas estampas, nos bordados, nas aplicações e em trabalhos manuais.

As peças têm foco no conforto, desde a escolha dos tecidos, em sua maioria algodões leves e cambraia, até as modelagens, como o leve volume na altura do quadril do vestido, e a calça clochard de cintura bem alta. Vale ressaltar também que, além das cores fortes trabalhadas em peças e acessórios, o jogo de preto de branco foi muito utilizado, como no vestido de patchwork.

Ao som da Balado do Louco, dos Mutantes, Francisco Matias apresentou a coleção “Pequenos Surtos”, na qual colocou em pauta a loucura do processo criativo, a mudança constante de texturas, cores e formas, e a busca incessante pelo novo e pela perfeição. “Isso é loucura ou arte?”, questiona o estilista.

Em meio ao mise-en-scène proposto, foi possível perceber os principais pontos da coleção: malha cinza-mescla utilizada como base em peças de modelagens retas e soltas, jeans cravejados de cristas, tanto para o masculino como feminino, e peças com toque de alfaiataria, como os shorts de cintura alta, trabalhados com tomas ou com modelagem mais seca e pernas levemente evasê.


MarcusSoon trouxe o tema “Boudoir Grunge” com uma pegada street muito forte.  O preto predominou em roupas e detalhes, porém de forma ultrafeminina, com toques de sensualidade. O destaque da coleção foi o mix de materiais com rendas nos mais diversos padrões e com tafetás, tules, padronagens xadrez com fio tinto e o moletom mescla, que teve grande destaque.

Com inspiração em fábulas infantis, em que o sonho impossível torna-se realidade, a Piorski trouxe para a passarela o tema “Magic Box”, traduzido de forma clara na sua coleção. Mistura de cores doces e delicadas, mix de padronagens, patchwork e aplicações em tamanhos exagerados, como laços gigantes em T-shirts, remetiam diretamente ao universo lúdico e infantil.

Para o tema “Tempo dos sonhos”, Sá Maria buscou referências no trabalho do artista plástico pernambucano Francisco Brennand, traduzindo as formas naturais, surreais e os aspectos tribais da natureza.  A cartela de cores teve como base tons terrosos, verdes, pretos e azuis. Entre os materiais, chiffons, musselines e sedas.

Skyler mostrou peças inspiradas na história escocesa, local de confrontos, conquistas e emancipação, e também de belezas naturais e arquitetônicas. A coleção faz referência à nobreza, por isso é possível observar brasões e, é claro, o xadrez, que vem em grande evidência ou em detalhes inusitados.  Acabamentos inusitados em tartã e outras padronagens clássicas de estilo college europeu fazem diferença. Entre as cores, azul, violeta e bordô. O jeans continua com muita informação de resinados, sobretudo o vintage com efeitos especiais a laser.


Weider Silveiro fez uma homenagem explícita  ao pop star Michael Jackson. Mostrou modelagens justíssimas, ora trabalhadas com volumes feitos com franjas, ora vindas do militarismo, acrescido de brilho, bordados e metais.

Quem não teve acesso ao tema explorado por Lindebergue Fernandes, pode ter ficado um pouco confuso com a coleção que misturou muitos materiais, cores, processos, aviamentos e até mesmo a sonorização, que foi de Sandra Rosa Madalena a relinchos de cavalo e funk.  A proposta foi uma reflexão sobre o instinto cigano contemporâneo, que ele caracteriza como um povo que vive à parte, mas que traz uma riqueza cultural muito grande. Podemos ressaltar o excelente trabalho de lavanderia nos jeans Vicunha e  a malha dos vestidos longos, com estonagens, manchados, sprays, entre outros processos de corrosão que pontuam o estilo vintage.

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