Triya, Lucas Nascimento, Andrea Marques, Teça, New Order e Isabela Capeto

O safári e a savana africana marcaram a estreia da Triya, grife de moda praia, no Fashion Rio. O trio que assina a coleção, Isabela Frugiuele, Bebel Fioravanti e Carla Franco, pegou pesado nas estampas animais e no tribalismo que ronda as tendências do vestuário. As tiras multiplicadas, abraçando os ombros, descendo pelas costas ou escorrendo de decotes tipo coleira, ou ainda duplicadas nas laterais de biquínis, são responsáveis pelos melhores momentos.

Participante da semana de moda carioca pela 2ª vez, Lucas Nascimento saiu-se bem como na estreia. Os formatos são minúsculos, com vestidos e conjuntos de saia e blusa e com medidas calculadas em centímetros de um tricô improvável pela leveza dos fios e da execução.  Os pequenos volumes, dispostos sobre a roupa, que de tão justa é quase um body, também são discretos, mas valorizam a textura das superfícies. Esse é um dos pontos altos de seu trabalho.

Outra nota forte fica por conta do radicalismo. É óbvio que várias daquelas peças e tamanhos não são viáveis, mas por deixar isso claro, os vestidos “difíceis” dele ascendem a outra categoria, a de projetos conceituais consistentes, com potência para falar do que o estilista é capaz de fazer e de como ele faz. A ideia está vendida. O resto vem depois. Outros vestidos nessas proporções proibitivas passaram por aqui alheios à sua real condição, tão distraídos na impropriedade que não convenceram. Aqui, esse não é o caso.

Livre da condição de ex-Maria Bonita Extra, Andrea Marques prova que muito da graça da marca que deixou para trás era a graça dela. Nesta estação, foi o calor dos trópicos que aguçou a imaginação da estilista, mas não lhe roubou o senso de equilíbrio característico. Muito menos a feminilidade doce que ela consegue expressar sem excessos até mesmo na alfaiataria.

Andréa encontrou no sol, nas plantas e em demais elementos dessa cadeia natural as referências para uma coleção correta, que se apropria de maneira particular das tendências apontadas para o verão. Para garantir a assinatura, ela regou o gosto tropical com o romantismo enxuto. Não é uma coleção de mudar o mundo. Mas funciona e é também bonita e honesta.

Militarismo light no desfile da Têca. Todo o peso foi aliviado pela conexão com a presença militar no nordeste dos anos 1940 durante a 2ª Guerra Mundial. O calor extremado da região e os uniformes provavelmente tiveram que entrar em acordo na época, e é essa nota que a coleção assume, colecionando alguns bons acertos e vestidos desejáveis.

Além da depuração formal, a mistura mais visível é com as estampas florais. Em seguida, entram rendas brancas e cores, refrescando de vez qualquer traço de agressividade. Na moda, militarismo é só imagem e gosto pelo senso utilitário. A modelagem funcional dos uniformes e acessórios, destinados a situações extremas, fascina criadores e públicos como resultado estético e prático de uma tecnologia. E é só isso. A belicosidade passa bem longe das passarelas.

Com a responsabilidade de ganhar público e crítica e repetir o feito alcançado na estação passada, a New Order foi a penúltima marca a desfilar. Florida, trouxe também estampas de insetos e planta carnívora, que alinharam a coleção com modernidade, não olhando para o passado. A marca misturou padrões e abusou deles tanto nas peças de roupa, sempre enxutas e interessantes, quanto nos acessórios. Entre eles, tênis e sandálias de cano alto, tamancos, flip flop estampadinho, bolsas e mochilas de muitos tamanhos e formatos. Deu certo.

Isabela Capeto re-encontrou o Rio depois de 6 anos desfilando em São Paulo e trouxe moda ultradecorada para celebrar a ocasião. O apreço da estilista pelos anos 1970, babados pelas flores e artesanias é notório, como também é de conhecimento que, gradativamente, e com mais ou menos êxito, ela imprime a esse repertório uma camada de sofisticação crescente.

Essa trajetória atinge um estágio notável na estação. Os bordados têm um preciosismo a mais, as cores idem, e Isabela obtém uma variação de texturas com materiais como a ráfia, que são de encher os olhos. Alguns shapes dos anos 1960 e 1980 corrigem os cortes previsíveis da década de 1970 e acrescentam alguma graça à modelagem, em comprimentos mais curtos, evasês e godês, que dão balanço ao conjunto. No mais, é tudo sobre superfícies ricas e movimentadas, com dourados, turquesas, conchas e corais em profusão.

O desfile encerrou o Fashion Rio. E fechou bem, com moda bonita de se ver e que aprofunda, para o bem e para o mal, a ideia de brasilidade relacionada aos elementos exuberantes, coloridos, e beirando a condição de alegorias.

Visto em Usefashion.

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