Walter Rodrigues, Cantão, Lucas Nascimento e Printing

Em grande forma, Walter Rodrigues acertou em praticamente tudo, protagonizando um momento inspirado deste Fashion Rio. Ele retomou o japonismo de que tanto gosta sem “saudosismo entediado” como ele mesmo escreveu, mas com o frescor e a propriedade de quem volta a um terreno que conhece bem. Colocou mais de uma dúzia de vestidos arrasadores na passarela e fez quimonos, calças e saias amplas e aconchegantes em uma coleção sem sobras.
A fusão entre Oriente e Ocidente pautou a última coleção da Yamê Reis à frente da marca Cantão. Ela optou por revisitar o universo étnico que a marca adora e vende bem, e mesclou referências variadas com militarismo e o brilho dourado do lurex. Também adicionou texturas luxuriantes e foi feliz em muitos pontos. No 1º bloco um quê de indiano (presente, ainda que o release cite a Turquia como referência) pareceu um tanto fora de hora. Ainda assim, na sequência a coleção se recompôs e passou bem. Muito bem sucedida a temporada de Yamê na Cantão. Vai deixar saudades.
Um sopro de novo, embalado em surpreendente rigor técnico, refrescou o 2º dia do Fashion Rio. Em estreia das mais aguardadas, Lucas Nascimento respondeu à altura com uma coleção concisa e inventiva, toda baseada em formas arquitetônicas. Ele colou a malha retilínea ao corpo, aplicou mamilos de metal sobre a roupa e balanceou com proporções matemáticas e cores fortes o que poderia ser apenas sexy ou experimental.
A Printing passou soberba do começo ao fim, faiscando em canutilhos e lurex. É luxo jovem, usável e sem breguice. Coisa rara. A marca chega para ocupar um gap notório, e vai fazer a festa de quem só tinha à disposição vestidões sexy e cafonas, todos eles muito parecidos entre si ou experimentalismos difíceis. A junção de vintage e tecnológico, pano de fundo para um exuberante painel decorativo é excepcionalmente bem sucedida.

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