Nica Kessler, Patachou, Andréa Marques, New Order e Alessa
Com muitos babados e vestidões, Nica Kessler serviu coleção com excesso de clichês da roupa feminina e passou do ponto na sua noite de estreia. Sob um enorme cabelão desfiado as garotas raramente pareciam o que eram (meninas bem magras) dentro da modelagem em tecidos claros e estampados, camadas de babados, pompons e laçarotes, que se espalhavam até mesmo pelo sapato.
Tem vontade a estilista, envereda pela alfaiataria, se arrisca, mas não domina ainda o repertório desafiante que adotou. Nem se trata de exigir uma roupa usável, mas de lidar bem em termos de técnica, corte e proporções, com o imaginário de excessos que ela mesma selecionou.
Patachou, que retorna aos desfiles depois de um tempo off, vislumbra uma mulher guerreira, e se inspira na santa e heroína Joana d´Arc para desenhar vestidos armadura, um tanto sóbrios, mas de acordo com as tendências do momento. Os ombros em destaque e o corpo ajustado desaguam em uma silhueta colante, sinuosa, que divide espaço com o oversized dos casacos. Se quase todo mundo adotou a Balmain como referência e abusou do comprimento curto, a Patachou exagerou. Ainda assim, tinha boas propostas nos vestidos com transparências localizadas. O saldo é positivo e a expectativa é que a marca, que tem histórico consistente, não fique mais de fora das semanas de desfiles.
Andréa Marques, que já fez Maria Bonita Extra, partiu da obra da artista plástica Malu Saddi para fazer coleção de proporções equilibradas. Abri, e manipula com habilidade tecidos bem diferentes entre si. Muito bom, particularmente, o trato com as transparências.
Pioneira, a New Order, do grupo Osklen, é a 1ª marca de acessórios a desfilar no Fashion Rio. Nesta estreia, é a figura do cachorro que conduz a coleção. “Oh, my dog” pareciam dizer todos, frente a deliciosa sequência de looks construídos especialmente para acompanhar cada modelo. Alguns com direito a orelhas nos capuzes, rabinho e outros com coleira de correntinha ligando o pulso da modelo ao pump estampadinho com motivo em p&b, sugerindo dálmata. A lamentável notícia é que a roupa não será vendida.
Quanto aos acessórios, a lista é enorme. No que diz respeito aos calçados, a coleção ficou concentrada em tênis baixinhos, de solados claros e canos mais altos, com muita variação de décor. Entram vazado, pelo, enormes spikes estilizados, modelagem com lapela e cano alto com amarrações. Há também sapatilhas bem decotadas, decoradas por spikes monumentais, e os já citados pumps, um de salto fino e outro mais grosso e retrô. As bolsas ora são mínimas ora grandes, com muitos penduricalhos. Mas esta lista é só um teaser. Tem muito mais na desejável coleção da New Order. Marca que precisa mesmo de diversidade para funcionar em lojas próprias em shoppings de todo o país.
“Play me” é uma das expressões que aparecem na roupa da Alessa. Todas as referências para estamparia saíram de instrumentos musicais ou do universo próximo. Seguindo as medidas da temporada, os comprimentos são curtos e o trabalho de modelagem na região dos ombros ganhou desenhos especiais, arredondados e proeminentes, ou mesmo dispensando a cava. Como já é de praxe, Alessa em pessoa fez sua aparição de grand finale, encerrando seu desfile e, de tabela, a última noite do Fashion Rio.
Sob vários aspectos, esta foi uma boa edição. Entre vestidos justos e curtos, saia lápis, casacos casulo e muito, mas muito brilho mesmo, a semana carioca carimbou de vez a vocação para os modismos de estação.

fonte: www.usefashion.com.br

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