Celebrado na cena fashion internacional, estilista é ícone da nova androginia.
Designer britânico está no Fashion Rio para lançar linha de sapatos.

Entre as cores radiantes da passarela e dos corredores do Píer Maúa, que abriga os desfiles do Fashion Rio com as propostas ensolaradas para o verão 2012, uma figura dark e andrógina destoa do clima e chama atenção. Trata-se de Gareth Pugh, jovem estilista inglês em alta na moda internacional.

Pugh participa da semana de moda carioca lançando modelos para a marca Melissa que levam sua assinatura. Na sua releitura das populares sapatilhas de plástico da grife, a estrela estilizada que virou marca registrada de suas criações não poderia faltar.

E a estrela de Pugh está brilhando cada vez mais num momento em que a moda ressente da morte de Alexander McQueen e do afastamento de John Galliano – ambos criadores com personalidades fortes, originalidade e famosos pelo jogo cênico dramático que levaram às passarelas.

Nascido em Sunderland, Inglaterra, formado pela escola Saint Martins em 2003, Pugh surpreendeu a todos na época ao desfilar um modelo plástico, que acabou batizado de “Boneca inflável”.

De onde eu venho, as mulheres são muito fortes. Os meus desfiles são majoritariamente femininos. O homem entra como um acessório na coleção
Gareh Pugh

Segundo ele, a explicação para a peça é simples. “Além do humor, pensei numa roupa que coubesse em qualquer bolsa depois de desinflada”.
Atualmente, os desfiles de Pugh estão entre os mais esperados nas temporadas de Paris.

Em plena era da androginia, o estilista utiliza o preto e o branco para mostrar uma marca em que a divisão entre os sexos quase não existe, numa roupa que cabe tanto em homens como em mulheres. No último desfile, o de outono/inverno, inspirado em Florença, quebrou esta oposição com dourado e azul cobalto.

Mulheres fortes

O culto a androginia e a reinvenção do feminino, segundo o estilista, teve inspiração em um livro. “Li ‘Manhood, a journey from childhood into the fierce order of virility’ [‘Masculinidade, uma jornada da infância à ordem feroz da virilidade’, do antropólogo francês Michel Leiris], em 1999, quando estava na faculdade e achei a capa muito significativa. Nela há duas mulheres; uma com uma adaga e outra com uma espada e a cabeça de um homem nas mãos. A ideia do autor é encontrar um ideal de mulher que una a fragilidade e força. É uma busca impossível por um ideal que não existe, mas as pessoas continuam tentando e é o que busco no meu trabalho”, revela.

“De onde eu venho, as mulheres são muito fortes”, continua Gareth, “então eu sempre estive rodeado destas referências. Os meus desfiles são majoritariamente femininos.

O homem entra como um acessório na coleção, mas acho muito interessante este mix entre masculino e feminino sem que seja algo literal. Vejo as diferenças de gêneros como um limite que deve ser ultrapassado às vezes”, frisa.Para quem quer conhecer melhor esse estilista, vale a pena clicar no site showstudio.com, do fotógrafo Nick Knight. Lá, em parceria com Ruth Hogben, braço direito de Knight , Pugh tem produzido belos vídeos.

Sua modelo favorita é Rachel Zimmermann, top model brasileira de grande sucesso no exterior. “Rachel é incrível por que ela não liga se tiver que fazer algo estranho. Ela é só trabalho, trabalho e trabalho, até que você fique feliz com o resultado e ela fique feliz também. Sabe como valorizar as roupas. Para mim, a Rachel é como a Kristen McMenamy [modelo americana]. Ambas têm looks poderosos e formas marcantes”.

O trabalho mais recente foi filmado em Florença, cidade que inspirou o visual eclesiástico da coleção de inverno.

Pugh acha insano criar tantas coleções por ano e limita sua produção a duas. Em junho vai lançar uma coleção cápsula, que será integrada a de verão.

Galliano

Para o estilista, arte e comercial nunca andam realmente juntos e cita o caso de John Galliano. “Acho que fazer uma coleção de alta costura, uma de prêt-à-porter ready-to-wear e outra da própria linha toda temporada é completamente insano. É quase como criar uma coleção por mês”, disse. Para o estilista, a crise financeira internacional e a crescente preocupação com o meio-ambiente ainda não fizeram com que a moda adotasse um ritmo mais lento. “Deveria ser assim mas não é o que está acontecendo”, observa.

Com o tempo da entrevista esgotando, nos últimos minutos o estilista respondeu a perguntas rápidas. O que você odeia? “Odeio o frio e os estereótipos da moda. É difícil trabalhar com isso e estar cercado de pessoas boas que têm reputações ruins ou que são verdadeiramente ruins. É preciso ser muito seguro no que faz para se manter bem. E é legal ser legal com os outros.”

Que superpoderes gostaria de ter? “Voar! Voei de helicóptero pela primeira vez sobrevoando o Rio e foi ótimo! Além disso, gostaria de ser invisível. Não por todo o tempo, obviamente, mas de vez em quando seria legal.”

O que gostaria de comprar? “Preciso de uma boa bolsa e de uma casa, mas acho que uma bolsa é mais fácil de carregar! Ando com a mesma há três anos, então preciso mesmo de uma nova. Eu viajo muito, então tem que ser uma das grandes, mas que não seja daquelas em que não se consegue achar nada. Só quero uma grande bolsa preta de couro. Na verdade vi uma bem legal na Givenchy, mas era muito cara. O que jogaria fora? “Honestamente não jogo nada fora. Tenho um ateliê enorme, então guardo tudo.”

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