Quem disse que só mulher magrela pode entrar na disputa pelo posto de “mais sexy” no concurso anual da revista “Vip”? Modelo ‘plus size’ há 10 anos, Andrea Boschim, 31, se surpreendeu ao perceber que nenhuma gordinha estava participando do concurso e tratou de se inscrever – depois disso, mais de 14 meninas ‘plus’ tomaram coragem e também entraram para a disputa.

“Entrei no domingo e no final do dia já tinha umas 15 meninas ‘plus’ participando… É legal saber que a minha coragem incentivou outras meninas”, conta ela. “Eu brinco dizendo que gosto de quebrar padrões.

No concurso da ‘Vip’, vi que eram só modelos magras na eleição das mais sexy da revista, temos apenas uma representante plus size que é a Adele, que eu nem sei se está na lista oficial… Não representa a realidade do Brasil”, disse ela, se referindo à cantora inglesa.

Carla Manso, de 25 anos, também se sente tão sexy quanto qualquer menina magérrima e se inscreveu no concurso.

“Se é uma sensualidade que não é vulgar e vai ajudar a alavancar a autoestima da mulher real que está em casa e não sabe que é sexy, se vai ajudar ela a descobrir que ela também pode ser, eu acho que o ensaio é super válido”.

Briga com a balança

Se hoje Carla está satisfeita com suas medidas, 90 quilos distribuídos em 1,70 de altura, a vida nem sempre foi fácil para ela. Lutando com a balança desde cedo, a modelo conta que já fez de tudo para eliminar os quilinhos que, antes, eram demais.

“Durante toda a minha adolescência eu sofria por causa do peso, achando que se eu não fosse gostosa os rapazes não iriam me querer e eu não seria feliz. Tomei medicação, fui para spa, fazia mil dietas, mas sempre voltava a engordar porque eu gosto de comer”, conta ela, que resolveu passar gostar de si mesma. “Hoje sou a pessoa mais feliz do mundo, comendo o que eu quero e sendo saudável”.

Andrea também não era satisfeita com seu corpo na adolescência, e um menino fez com que ela perdesse muito peso na época do colégio. “Na adolescência eu quis muito emagrecer, na formatura do colegial eu cheguei a pesar 60 quilos, mas a minha motivação para perder peso era ficar com um garoto”, contou ela, que hoje pesa 92 quilos, com 1,70 de altura.

Começo da Carreira

As coisas começaram a mudar quando Andrea descobriu que era finalista de um concurso com meninas “plus size” sem ao menos ter se inscrito. “Uma amiga me inscreveu em um concurso virtual há dez anos sem eu saber. A dona do site me ligou quando estava entre as dez finalistas, fiquei superenvaidecida e acabei ganhando o ‘Web GG Girl’ em 2002. Comecei a trabalhar como modelo a partir daí.”

Carla trabalhou durante cinco anos fazendo fotos e editoriais, mas só se descobriu bonita muito tempo depois. “Por indicação de uma amiga, fiz um editorial há uns oito anos. Naquela época tinha escassez de modelo plus size, mas cada trabalho que surgia, eu achava que era o último, porque não me via como modelo. Passei a me achar bonita e encarar a carreira de modelo com seriedade de três anos pra cá, quando me aceitei gordinha.”

Andrea contou ao EGO que o início da carreira foi complicado, mas hoje o tratamento é o mesmo para ambos estilos. “No começo da minha carreira era muito complicado ter uma modelo gordinha no meio das meninas magras, então eu era sempre a última a ser maquiada, arrumada, tinham que perguntar para vários produtores se realmente eu estava participando do desfile… ”.

Comer bem, mas com consciência

E se para as modelos magras a dieta vem em primeiro lugar, as modelos plus size se gabam por poderem comer tudo que querem, mas também existem restrições.

“A gente tem que sempre ficar de olho na balança, não pode abrir mão das cintas para fazer os trabalhos, mas como a gente gosta de comer e comer bem, é difícil não dar uma oscilada no peso. Eu tento me manter no manequim 46, mas não dispenso um rodízio japonês, mexicano, churrascaria… Se dou uma extrapolada, tomo bastante água e isso me ajuda a comer menos”, revela Carla, que não abre mão da sobremesa.
Andreia se diz ‘sortuda’ por gostar de comer saladas e folhas, mas não resiste a uma boa batata.

“Eu não como muita besteira, mas eu adoro batata, qualquer tipo de batata”, contou rindo.

“Mas troco fácil um sanduiche, por uma salada. Como modelo, sou um referencial de manequim para algumas marcas, então não posso ter uma oscilação de peso, toda semana tenho que estar com as mesmas medidas. Minha refeição é farta, mas regrada”.

Se na balança e no prato as diferenças são gritantes entre as modelos magras e as plus size, Carla brinca dizendo que as gordinhas também são mais felizes.

“Quando as modelos magras estão com a gente nos trabalhos é nítida a diferença. As gordinhas estão sempre rindo mais, brincando mais, elas magrinhas estão sempre mais na delas, porque acho que falta um pouquinho de açúcar, né?”, disse Carla aos risos.

Agradecimento: Loja Milanina – Shopping D.
Fonte: EGO

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