Indústria avalia como positiva a substituição de etiquetas P, M e G, por medidas em centímetros às peças de vestuário

Até o fim deste ano deve entrar em vigor no País as normas de padronização da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) para as roupas femininas. As novas regras preveem a substituirão das etiquetas P, M e G – utilizadas tradicionalmente nas peças do vestuário brasileiro – para medidas em centímetro, especificando altura e perímetro de cintura, quadril, tórax, pernas etc.

O novo padrão iniciou com a moda infantil, bebê e infanto-juvenil, que já foi regulamentada e está em vigor desde julho de 2010. Até julho deste ano, passa a vigorar também para as roupas masculinas, que devem adotar os padrões atlético, normal e especial. A mudança, que segue recomendações da Associação Brasileira do Vestuário (Abravest), é bem vista pela indústria de confecções do Ceará.

Para o presidente do Sindroupas (Sindicato da Indústria de Confecções de Roupas de Homem e Vestuário do Estado do Ceará), empresário Túlio Colares, a medida insere a confecção brasileira no primeiro mundo, profissionalizando a indústria de moda nacional, a partir de sua adequação ao mercado mundial. Segundo ele, a falta de um padrão de roupa no Brasil fez com que cada fabricante adotasse uma medida diferente nas peças, resultando num entrave para as exportações do setor.

Mudança necessária

Na opinião do empresário, o novo padrão também vai agradar ao mercado interno. “As normas são demandas do próprio público que, a rigor, é nosso patrão. Não podemos continuar com medidas diferentes por marca. É uma questão até de respeito ao cliente. Essa mudança é necessária e a indústria de confecção vai rapidamente absorver. Não será problema para nós, fabricantes”, garante o líder classista. “O que deve mudar nas roupas são os modelos e não a modelagem”, destaca. Em países do primeiro mundo, como os Estados Unidos (EUA), as etiquetas trazem indicações de estatura e medidas de ombros, busto, cintura, quadril e pernas, permitindo ao consumidor comprar suas roupas sem a necessidade de experimentar na loja.

Impulso nas vendas

A Abravest estima que, ao ser adotada pelos fabricantes, a padronização de tamanhos irá impulsionar a venda de roupas pela Internet. A Abravest avalia que os lojistas também sairão ganhando, já que a nova medida padrão irá reduzir o volume do número de trocas de peças do vestuário devido a erros de tamanho. Para o consumidor será uma dor de cabeça a menos, até porque o Código de Defesa do Consumidor (CDC) só obriga a troca de produto por defeito ou vício de fabricação. A substituição por tamanho é opcional para o lojista, que acaba efetuando a troca para fidelizar o cliente. A adoção das normas também é facultativa. Porém, o consumidor pode cobrar às empresas a adesão à padronização.

Proprietário da Marv Confecções – indústria que atua no ramo ´private label´, produzindo peças de roupas para diferentes grifes, o presidente do Sindconfecções (Sindicato das Indústrias de Confecção de Roupas e Chapéus de Senhoras no Estado do Ceará), Marcus Venícius Rocha, afirma que as novas regras serão ainda mais benéficas para quem fabrica para outras marcas. “Para nós será formidável porque iremos trabalhar com uma única modelagem, variando só no estilo da peça. Hoje, se produzo para cinco marcas, tenho que mudar a modelagem de acordo com cada uma delas. Além disso, com a padronização a moda fica bem mais democrática”, completa.

Fonte Diário do Nordeste

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