Cinzas apareceram com destaque nas passarelas masculinas, como nesta produção da Prada

Cinzas apareceram com destaque nas passarelas masculinas, como nesta produção da Prada

Paris e Milão definem homem utilitário e “cinzento” para o próximo verão;

Se depender do que se viu nas duas últimas semanas, o próximo verão será cinzento, pelo menos no que diz respeito à cor das roupas masculinas mostradas de 19 a 23 de junho em Paris e de 24 a 29 em Milão. Mas, se por um lado o clima de incerteza gerado pela crise produziu uma temporada um tanto monótona e comercial, por outro, submeteu os estilistas ao desafio de criar coleções que fossem usáveis, práticas, utilitárias e ainda assim criativas e desejáveis.

Cinzas apareceram com destaque nas passarelas masculinas, como nesta produção da Prada.

Looks trouxeram peças utilitárias, com bolsos e mochilas, como estes da DSquared2

Looks trouxeram peças utilitárias, com bolsos e mochilas, como estes da DSquared2

O cinza realmente apareceu como um denominador comum para várias marcas (Prada, Missoni, Armani, Yves Saint Laurent), ainda que pontuado por cores ácidas, como o laranja forte, o amarelo cítrico e cobalto, em detalhes e acabamentos. As produções monocromáticas foram uma constante da estação, principalmente em cinza, é claro; em preto, que ainda é a cor-coringa do vestuário masculino (Rick Owens, Dior Homme); mas também em cores fortes, como vermelho (Paul Smith, Dirk Bikkemberg), azul (Calvin Klein, Gucci), laranja (Gaultier) e rosa (Ungaro), cor que “estreou” no masculino da temporada passada e vem como quem quer ficar (o tempo dirá se os homens também a querem).

O apelo utilitário se fez sentir em praticamente todas as coleções, nas parcas, nos casacos e bermudas com bolsos em profusão, e na grande quantidade de bolsas (Gucci, Burberry), agora também pequenas (após a “ditadura” das bolsas grandes), presas por alças ou cintos –a deselegante pochete agora não vem mais só ao redor da cintura (Versace, Dsquared2), mas pendurada no ombro, na diagonal (Emporio Armani).

Looks trouxeram peças utilitárias, com bolsos e mochilas, como estes da DSquared2

Mesmo o pouco de escapismo que apareceu em algumas coleções (a inspiração em terras distantes e em viagens) ganhou logo um caráter mais prático (Missoni, Paul Smith) do que sonhador (John Galliano), em peças que parecem atender ao desejo de pessoas viajadas (que viajam cada vez mais) e precisam de roupas duráveis, leves, utilitárias.

Nas ocasiões mais formais, os costumes e ternos justos (mas sem exagero), com paletós de dois botões, são usados com gravata fina (Gucci, Prada) ou até sem gravata, o que resulta numa austeridade “estranha”; na moda casual, a referência aos anos 80 aparece no jeans de lavagem bem clara (Missoni, D&G) que aparece ao lado de malhas e trench coats em cores desbotadas, como que “de sorvete” (Dsquared2, John Varvatos, Jil Sander).

Em resumo, a estação revisitou peças clássicas do guarda-roupa masculino recriando-as, mas sem compremeter um certo ar atemporal, que combina com tempos de vacas magras, em que ninguém imagina trocar seu guarda-roupa só pelo ímpeto da novidade. Mas, como disse recentemente Pierre Hardy (designer dos sapatos da Hermès), em entrevista à revista inglesa de moda masculina “GQ”, “toda estação, as pessoas querem o atemporal de hoje”, não o atemporal da coleção passada. E essa, afinal, é a alma do negócio.

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