Tradicionalmente pintado de branco, cor que acentua o otimismo de suas curvas modernistas, o prédio da Bienal acordou vestido de negro para esta edição da São Paulo Fashion Week. A enorme exposição que ocupa o 1º andar, e aborda a transversalidade dos processos de criação, intensificou a sensação de densidade que a semana anuncia. Para rechear o dia e não deixar dúvidas sobre a seriedade da coisa, 4 desfiles consistentes colocaram a máquina fashion para funcionar. Veja como foi:

  

Dando a largada na semana paulista, com direito a casting estrelado, a Animale embarcou em uma viagem à Rússia czarista e trouxe de lá decor pesado, faiscante de pedrarias e veludos. A cintura baixa e os brilhos configuravam uma indisfarçável passagem pelos anos 1920, conforme visitado recentemente pela moda internacional. Some a mistura de vários looks baseados na estrutura, ou na falta dela, de um pijama. A opulência decorativa à antiga ocultou o habitual experimentalismo têxtil e formal exibido pela Priscilla Darolt nos desfiles da marca. O que não quer dizer que uma coisa e outra não estivessem lá.

  

Os anos 1980 segundo Thyerry Mugler, sportswear e texturas lunares entraram em conjunção na coleção concebida por Eduardo Pombal para a Tufi Duek. O trabalho primoroso de construção de superfície e a modelagem delineando o corpo marcaram esta bela coleção de ponta a ponta. Vale dizer que o comprimento na altura do joelho, somado às linhas de contorno que obedecem a anatomia, é aposta de boa parcela da moda global. Pombal é dos grandes talentos em atividade no país, e imprime uma assinatura inconfundível ao que faz, seja trabalhando sobre cultura indígena, como na estação passada quanto com o coquetel de referências de agora.

  

Cori acentuou a inclinação clássica ao optar pela montaria como referência para o outono-inverno 2012. A orientação conferiu um quê de tradição à maneira de uma Hermés, grife francesa que nasceu da cultura hípica e sempre retorna a ela, acentuado pela presença de acessórios estruturados de couro. Proporções balanceadas corretamente, cores quentes e graves, e aspectos sedutores dos materiais, particularmente do couro resinado, garantiram a boa passagem da coleção.

  

Propondo uma reflexão sobre a Agenda 21, o documento que selou a Eco-92 sediada no Rio de Janeiro, uma Osklen de veia militante encerrou o bom primeiro dia da São Paulo Fashion Week. A marca trouxe para a passarela militarismo redesenhado por novos recortes e volumes concentrados na parte superior do corpo. Os belos capuzes estruturados, uma base de conforto que atravessa todo o conjunto, cores vivas e forma experimental fazem do manifesto de Oskar Metsavaht uma bela experiência visual. Seria bonito encontrar essa roupa na loja da marca, mais bonito ainda encontrar pessoas vestidas dessa maneira pelas ruas.

Fotos: Mkt Mix/Divulgação e AGNews
Fonte: USEFASHION

Tags: , , , , ,

Leave a Reply