Depois de 19 desfiles compactados em três dias da edição de inverno 2013 do Fashion Rio, Vogue elege os pontos mais importantes do que foi mostrado nas passarelas. Confira tudo nas fotos desta página.

Esporte deluxe: o clima esportivo aparece em releituras criativas, tantos looks diurnos, quando noturnos. Detaque especial para o neoprene – tecido do surf que vem ensaiando, e agora migra de vez para o closet como hit da temporada. Desfiles: Coca Cola Clothing, Espaço Fashion e Filhas de Gaia

Alfaiataria jeans: nada de shortinhos ou jaquetinhas. O jeans entra de vez em itens da alfaiataria, muitas vezes com mix de peças em um mesmo look. Destaque para colete máxi, camisa e até poncho feitos com o material, nos desfiles da TNG, 2nd Floor e Herchcovitch.

Saia godê: a saia faz comeback direto dos anos 50 para as passarelas. Vale renovar o look com tops de tamanho máxi, a última moda. Aposte já! Desfiles: Acquastudio, Sacada e Herchcovitch

Ombros arredondados: os casacos e vestidos da estação aparecem com ombros de modelagem ampla e arredondada, como nos dos desfiles da Coca Cola Clothing, Filhas de Gaia e Sacada


Leve vs. pesado: a transparência é tendência, mas para o inverno ela vem combinada com peças pesadas como o pull de tricô de pontos largos. 2nd Floor, Ausländer e OEstúdio desfilaram suas versões

Decorativismo: é hora de exagerar com roupas dramáticas, enfeitadas, com textura rica de bordados e aplicações, como as que ganharam as passarelas da Acquastudio, Espaço Fashion e Oh, Boy!

Barriga à mostra: há algumas temporadas o abdôme em evidência ganhou destaque na lista de tendências da moda. Ela continua no inverno, como mostram Coca Cola Clothing, Espaço Fashion e Herchcovitch

 

 

Fonte: VOGUE

 

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Walter Rodrigues, Nica Kessler, Mara Mac, Salinas, R.Groove e Acquastudio


Entre tapumes coloridos e referências africanas, Walter Rodrigues apresentou modelagem simplificada e linguagem visual elaborada. Principalmente nas apropriações coloridas de geometria tribal, aplicadas sobre vestidos fáceis e desejáveis. O casting 100% negro reacendeu um dos assuntos quentes da moda nacional. Os comprimentos e silhuetas são discretos, com vestidos secos funcionando como suporte para os motivos geometrizados. Essa contenção é assinatura do estilista. Assim como a pouca e boa alfaiataria que deu sustentação à leveza e despretensão elegante do conjunto. Os belos bordados, tramas e apliques têm a mão e a destreza de mulheres do projeto Pernambuco com Design, da cidade de Quipapá.

Anos 1930 e a bem cuidada arquitetura Art Deco de Miami (no Brasil ela anda literalmente em ruínas) deram forma e substância à coleção da estilista Nica Kessler. Ela foi concebida para garotas jovens e sexies, de longos e provocantes rabos de cavalo. Looks muito curtos e justos, alguns deles quase inviáveis, mas nem por isso desinteressantes como imagem de passarela, definiram a silhueta. A modelagem é exercitada sobre as curvas do corpo, explorando decotes, ombros vazios e cintura alta, com bom domínio técnico. Tome nota das estampas geométricas e das hotpants que prometem fazer a delícia dos corpos em forma neste verão.

Deslocando o impacto das apresentações para a teatralidade, com cubos vermelhos em suspensão e queda sobre toda a passarela, com assinatura da Bia Lessa, Mara Mac desfilou os exercícios formais rigorosos, de corte elegante e tropicalidade idealizada, que a clientela fiel aplaude com gosto. O peso da tradição modernista oferece um repertório consistente, define um traço estilístico e sustenta uma longevidade considerável, qualidade e condição raras no país. A contrapartida é que ela corre o risco de se manter excessivamente atrelada a si mesma. Perigo driblado nesta edição com a ajuda de texturas e transparências em camadas, de refinada investigação têxtil.

Tropicalidades cubanas e baianas, com sotaque da mãe África, entraram na bem-sucedida receita da Salinas. Em desfile sublinhado por musicalidade e ritmo, um tanto de inocência e um bocado de malícia deram o tempero final, e estava pronto o saboroso prato servido pela marca, muito bem colorido pelas estampas de paisagens e abacaxis. Carol Trentini fechou com listras e Ana Cláudia Michels, bela como sempre, mostrou a força dos monocromos em vermelho-fechado. Os formatos, segundo a Salinas, agora podem até ser menores.

R.Groove prometeu e cumpriu, levando uma salada de estilos para a passarela. A marca foi a única a apresentar roupa masculina no 1º dia. Em looks claros, retalhados e coloridos, preferiu contemplar ousadias do que atender a mesmice. Quem se arrisca erra, mas quando gosta de verdade do perigo, valida a experiência. E não são as misturas difíceis e os rosados improváveis que irão esconder os méritos da apresentação. É interessante ver como a alfaiataria, principalmente nos blazeres alongados usados com calças curtas, confere musculatura à ainda um pouco verde, mas cheia de vontade, R.Groove.

Trafegando em direção contrária à vocação comercial das temporadas de moda brasileira, Acquastudio tomou o rumo do experimentalismo há algumas estações. A marca emprega o domínio técnico exercido nos vestidos de noiva para soltar a imaginação na passarela. Causa espanto e divide opiniões. De toda forma, esta liberdade de testar limites merece crédito.  E se é verdade que nem sempre o que se vê soa exatamente como novo, é de longe mais interessante que a monotonia de vestidinhos básicos e blusinhas com shorts, desfilados inadequadamente sob o aparato que cerca um espetáculo de moda. Resumo radical: Bruna Tenório muito linda na abertura, organza e tule em camadas, volumes, off-white, cores elétricas. Tudo sobre salto alto e meia-pata em acrílico.

Visto em USEFASHION

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Acquastudio, Cláudia Simões, Maria Bonita Extra, Juliana Jabour e TNG
Para fazer sua coleção de festa de peças justas no busto e quadris avantajados, Acquastudio mimetizou as formas dos vasos de René Lalique em jogos experimentais com o desenho do corpo. A ideia, que parece muito boa, ficou comprometida na relação difícil com os movimentos. A referência ao mestre vidreiro e joalheiro da Art Nouveau aparece pela 2ª vez no Fashion Rio, visto que ele foi mencionado também em uma estampa de Graça Ottoni.
Na Cláudia Simões, muitas formas simétricas, como no padrão grego de beleza, e ao gosto do espírito olímpico esportivo, popularizado pela polêmica e talentosa cineasta alemã Leni Riefenstahl por volta de 1930. A pintura expressionista americana, citada como referência, tomou conta das estampas. Pollock e Rothko, pintores icônicos do período, aparecem em abstrações informais e em recortes coloridos, respectivamente. No entanto, a junção do esportivo com alfaiataria poderia ser mais proveitosa.
Experimentando sobre a aura de marca certinha, Maria Bonita Extra abraça a rebeldia beatnik e põe o pé na estrada errante, trilhada pelo escritor americano Jack Kerouac, autor do clássico On the Road. Modelagem entra em sintonia com experimentação, adotando formas transgressoras: misturas de amplo com justo, sensualidade e inocência, fluidez e estrutura. O resultado é visualmente bonito e a roupa da Extra permanece desejável, mas não foi desta vez que a marca ultrapassou a barreira do bom comportamento. Se é que ela precisa mesmo fazer isso.
Berlim militar, urbana e contemporânea, mas cheia de lembranças do passado que a dividiu, serve para calçar as pretensões da estilista Juliana Jabour de trafegar por áreas mais densas que a dos doces vestidos de malha que lhe deram fama. De uma viagem à cidade alemã, ela trouxe a cartela sóbria e a misturou com o conhecido oversized oitentista da marca. O resultado é uma coleção consistente, de tema bem trabalhado e ainda assim adaptada ao gosto da clientela. Finalmente Juliana deixa de lado os abotinados rasteiros e olha para a moda de cima de um salto alto. Literalmente.
Na TNG, entra Maurício Ianês esbanjando competência e sai Regina Guerreiro. Mudou o diretor criativo, só não muda a tradição da escolha de um casal de celebridades para alavancar a marca na mídia. Neste ponto, nenhuma surpresa: os escolhidos foram Thiago Lacerda e Taís Araújo. Entretanto, em todos os outros, existem muitas delas. A marca pegou leve na densidade friorenta que o tema sugere com a cultura esquimó e acertou a mão na estamparia. Trabalhou proporções ampliadas e, caso leve esta coleção às lojas, vamos ver uma guinada significativa na consistência das roupas. Para garotas, shorts amplos, cintura alta, comprimentos curtos, vestidos utilitários ajustados na barra e bolsos funcionais. Para eles, além de calças folgadas, camisaria e coletes bem compridos.

fonte: www.usefashion.com.br

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