Se você cansou do rosa millennial, saiba que uma outra cor desponta como tendência para os dias de verão: o amarelo – do mostarda ao tom vibrante – surgiu em profusão nos desfiles nacionais e internacionais e logo caiu nas graças de uma turma de celebridades.

Montou um guia prático e rápido para quem quer investir na cor segundo as regras da famosas. Confira nesta página:

Gigi Hadid, trendsetter da nova geração conhecida por seu estilo afiado e, claro, inspirador, é uma das que vem investindo forte no amarelo, colorido looks da cabeça aos pés, passando até pelo esmalte!

Para looks ainda mais impactantes, aposte em itens oversized no tom, como fez a sempre estilosa Kendall Jenner.

Elegantíssima, Blake Lively mostra que loiras podem – e devem – investir no amarelo, seja na alfaiataria monocromática, nos vestidos esvoaçantes ou tubinhos sexy para red carperts.

Rainha do street style, Olivia Palermo mostra como ser cool até dizer chega com a cor no inverno (ao investir na cor arrematando produções all black com acessórios de estilo) ou no verão (vestidinhos feitos de tecido fluido são pedida certa para a estação!).

Rihanna esbanjou beleza e estilo ao surgir, belíssima, a bordo de um look total-amarelo no lançamento da sua linha de maquiagens.

 

Fonte: VOGUE

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O truque da temporada é combinar peças de pegada urbana com maiôs. Tudo de uma cor só, viu? Aprenda a usar!

O verão chegou! E com ele a época em que a saída de praia deixa de ser coadjuvante para virar atração principal do seu closet. Nesta temporada, a moda é apostar em looks monocromáticos e combinar maiôs descolados, decotados e cheios de recortes com peças da mesma cor -sim, escolha a sua e se jogue dos pés à cabeça!

Lembrando que, o que está em voga agora, são looks praianos com pegada urbana e esportiva. Para isso, o truque da vez é mesclar os trajes de banho com peças de nylon, jaquetas e calça, e acessórios de acrílico! E está liberado usar as produções fora da praia, tá?

Para te ajudar, montamos um guia com as cores que vão estar com tudo e look pura inspiração. Confira:

Rosa (foto acima)
Maiô, R$ 349, e jaqueta, R$ 699, ambos Salinas.
Colar, R$ 229, João Sebastião

Laranja:
Maiô, R$ 340, NU;
Camisa amarrada na cintura, R$ 890, e calça, R$ 1.200, ambos Lacoste;
Brincos, R$ 92, João Sebastião;
Bolsa, R$ 10.500, Goyard

Verde:
Maiô, R$ 238, Cia. Marítima;
Calça, R$ 30, Minha Avó Tinha.
Viseira, Graciella Starling;
Brincos, R$ 448, Lool

Roxo:
Maiô, R$ 410, Jo de Mer;
Jaqueta, R$ 1.290, The North Face.
Óculos, R$ 570, Rayban para Sunglass Hut;
Pulseira, R$ 248, Cosmopolitan

Amarelo:
Maiô, R$ 219, Skinbiquini para Líquido;
Jaqueta, R$ 6.755, Lacoste.
Pulseiras, R$ 252 cada, CINE 732

Vermelho:
Top, R$ 29, C&A;
Jaqueta, R$ 40, Minha Avó Tinha;
Hotpant, R$ 528, Amir Slama.
Bolsa, R$ 390, Melissa + Vitorino Campos

Fonte: Glamour

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Já pode atualizar o seu closet, miga! A Pantone acaba de divulgar que “A” cor de 2017 será o verde Greenery, aka verde abacate. Em comunicado, a instituição reforça a “necessidade de esperança” que o mundo precisa no próximo ano.

“Nós sabemos que tipo de mundo estamos vivendo: um que é muito estressante e muito tenso”, contou Leatrice Eiseman, diretora executiva de Pantone, em entrevista ao New York Times. “Esta é a cor da esperança e da nossa conexão com a natureza. Ela fala para o que chamamos de regenerar, atualizar, revitalizar e renovar.”

E,apesar do anúncio de que a cor será hit em 2017, o verde Greenery já tem sido visto nas passarelas há um bom tempo, confirmando a tendência. Neste guichê, maneiras incrís de como apostar no tom nos próximos doze meses. Vem ver:

Na  semana de moda de Paris, temporada primavera 2017, a cor apareceu em um mix esperto de estampas florais, como é o caso desse conjuntinho cropped + calça. Alerta de tendência confirmada na passarela: barriga de fora – tão anos 90! – estará com tudo, tá?

A coleção da Kenzo em parceria com a H&M também apostou na cor em seu desfile na semana de moda de Nova York. Dica: opte no color block e mescle o verde com outras tonalidades. Viu como o combo Greenery + laranja ficou um arraso?

Mais color block: o amarelo é outra ótima opção para fazer um mix de cores vivas com o verde. Partiu copiar esse combo vestido com ares de camisa + bota da Pucci?

Olha o slip dress confirmando que permanecerá no guarda-roupa das fashionistas em 2017. Obrigada, Sies Marjan!

Misturar diferentes tonalidades do verde também é uma escolha esperta, viu!? A Gucci apostou na cor mesclando tecidos e tons durante a semana de moda de Milão: jaqueta bomber + calça de seda. Vale copiar!

 

Fonte: Glamour

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Bordô, marsala, vinho: em seus muitos nomes, a versão mais escura e sóbria do vermelho é clássica, elegante e independente dos rumos das passarelas. Mesmo tendo sido eleita “a” cor de 2015, ela não deixa de ser interessante em 2016 – e 2017, 2018, ou qualquer ano que seja.

Tão versátil quanto o bege, o tom é uma ótima opção para quem quer fugir da combinação cinza-preto-e-branco, mas não é fã de cartelas mais vibrantes que incluem amarelo, pink, laranja ou azul. Outra vantagem é que o bordô surge tanto em peças de roupa, quanto acessórios: quem se apaixonar por um bom sapato ou bolsa adornado com a cor, pode investir sem medo; o item não será usado por apenas uma estação.

Como levar a cor para o seu guarda-roupa sem errar? Confira abaixo uma seleção de looks e peças para você se inspirar – e renovar o closet num passe de mágica.

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Fonte: Vogue

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Vestir-se de uma cor só, dos pés à cabeça, é uma tendência forte dos desfiles do Rio Moda Rio. Os looks monocromáticos apareceram em praticamente todos os desfiles dos dois primeiros dias do evento, que termina nesta sexta, 17.

A tendência pode ser fácil de adotar se forem usadas cores neutras, como preto, branco e cinza. Mas pode ser bem mais difícil quando se trata de cores fortes e chamativas, como amarelo, vermelho e azul. Quer adotar a tendência mas tem medo de errar? Veja como os estilistas do Rio Moda Rio apresentaram seus looks monocromáticos:

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Mara Mac (Foto: Agência Fotosite)

O branco em look total já voltou há algumas temporadas e segue forte nas passarelas do Rio Moda Rio. Na Mara Mac, a aposta foi pelo vestido claro. Por ser uma peça só, é um jeito fácil de usar. Vá sem medo!

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Aqui já avançamos um grau de dificuldade. A ideia é usar saia, top e camisa com transparência da mesma cor, como fez a Maria Filó. Repare que a textura não é exatamente a mesma, mas a cor é idêntica nas três peças.

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O branco total também vai muito bem em looks de alfaiataria, como fez o estilista Guto Carvalhoneto.

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Guto também apresentou o preto total, uma ótima opção para as góticas suaves. Não tem erro!

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Aqui a coisa começa a ficar quente! Lino Villaventura mostra uma versão de look monocromático pra quem não tem medo de chamar a atenção. Ele mistura vermelho, textura, brilho e látex de uma vez só! Extravaganza!
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Os looks monocromáticos também têm espaço na moda festa. Martu apostou em vestidos de cores fortes, como o amarelo. Combine com sandálias de cores neutras.
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O azul também tem vez na passarela do Rio Moda Rio. Veja como fez Patrícia Viera, que apresentou uma produção todinha no tom. Repare que apesar de ser a mesma cor e o mesmo material (Patrícia trabalha com couro), existe um contraste entre as peças graças à diferença de textura. O que usar nos pés com um look total azul? Uma sandália azul! Chique!
Fonte: Glamour

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Esqueça as listras em preto e branco ou o clássico azul-marinho estilo náutico. A aposta da temporada é o listrado bem colorido! Amarelo, laranja, vermelho e azul – a ideia é investir em uma mistura de cores e tamanhos, para um look bem moderno e diferente.

listas-620-01Vestidos com listras bem coloridas foram vistos nos desfiles de Stella McCartney e Tommy Hilfiger na Semana de Moda de Nova York em 2015 (Foto: Getty Images)

Essa tendência começou a aparecer no radar da moda no ano passado, quando alguns desfiles abusaram de estampas listradas coloridas. Stella McCartney e Tommy Hilfiger foram alguns nomes que apostaram em um estilo esportivo e despojado – característico das marcas. As listras largas e grossas tornam a produção casual, perfeita para ser usada nos dias mais quentes, sem abrir mão de um look mais descolado.

listas-620-02Na última Semana de Moda de Milão, Fendi, Missoni e Salvatore Ferragamo apostaram na mesma tendência – desta vez com um toque mais chique (Foto: Getty Images)

Na última Semana de Moda de Milão, esse movimento colorido apareceu ainda mais forte; e, desta vez, ao contrário de Stella McCartney e Tommy Hilfinger, grifes como Missoni, Salvatore Ferragamo e Fendi trouxeram a tendência com um toque bem mais chique e sofisticado. O listrado mostrou que é versátil e funciona tanto para o dia, como para a noite, e aparece em vestidos, tops e até coletes.

Em uma temporada em que os tons terrosos reinaram nas passarelas e nos looks de  das fashionistas, parece que Missoni, Salvatore Ferragamo e Fendi conseguiram colocar as listras coloridas de volta ao centro das atenções.

 

Fonte: GNT

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Mariana Ximenes posa com top (R$ 1.715) e saia (R$ 2.730) de tricô Coven (Foto: J.R. Duran)

Se você é uma das tantas mulheres que acham o amarelo lindo, mas torce o nariz na hora de sair vestida com ele, talvez seja este o verão em que seu preconceito vai cair por terra. É que nunca se viu tantos looks tingidos unicamente com a cor nas passarelas nacionais. E não se trata de uma blusinha aqui, um acessório ali. Será preciso respirar fundo e sair de amarelo da cabeça aos pés: assumir o look total e escolher acessórios da mesma cor, inclusive, deixa o visual mais contemporâneo.

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Daslu, Isabela Giobbi, Cris Barros e Mixed (Foto: Divulgação) (Foto: Divulgação)

O namoro da moda com a cor do sol começou no verão internacional que acaba de se encerrar, com a coleção da Alexander McQueen que tinha abelhas como tema. Mas foi só depois que ele começou a aparecer de maneira menos caricata nas passarelas de grifes como Dior e Valentino que as mulheres passaram a entender seu potencial de cor-desejo.

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A coleção de abelhas de Alexander McQueen (à direita) deu o start na febre do amarelo (Foto: Divulgação)

“A brasileira morre de medo do amarelo sem saber que todas as cores possuem nuances
realçadoras, é só uma questão de adequar sua profundidade e intensidade com a coloração de pele, cabelo e olhos. Morenas, por exemplo, ficam bem de mostarda, enquanto peles claras e cabelos escuros pedem um tom mais vivo”, ensina a consultora de imagem Fernanda Doná. Boas opções não faltam nas lojas daqui, só não vale amarelar!

 

Fonte: VOGUE

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tendencia

O amarelo foi a cor do Verão e o vermelho será a do Inverno. A emoção e a consciência ambiental estão na ordem do dia. É o que ditam as tendências. Para a Moda e não só. Mas de onde surgem estas orientações? Quem as determina? E porquê?

Antevisão
Qual irá ser a cor da moda? O que se vai usar na próxima estação? Qual é o produto do momento? Hoje, cada vez mais pessoas e empresas estão pendentes das tendências, quando até há bem pouco tempo isso era uma preocupação quase exclusiva dos industriais têxteis e do pronto-a-vestir.

O termo ‘tendência’ está a cada dia mais presente no nosso vocabulário e na nossa vida quotidiana. Pelo menos nos grandes centros urbanos das sociedades ocidentais em que vivemos.

Das passarelas as imagens saltam para as páginas das revistas para revelar o que nos fará mais bonitas e fashion a cada estação. Quisemos percorrer o caminho inverso. Num mergulho profundo no universo da moda e dos produtos de consumo fomos em busca de descobrir como surgem estas tendências, como tomam forma e quem as molda. Como uma verdadeira caçadora urbana, Paula Horta circula pelas ruas de Barcelona munida das suas indispensáveis armas: um bloco de notas, uma máquina fotográfica digital e a enorme curiosidade que muitas vezes a impele ao contacto directo com os seus objectos de observação, mal os identifica. São adolescentes ou jovens adultos que por alguma razão se destacam dos demais, mesmo que seja por um mero detalhe ou adereço personalizado.

Paula veste-se com discrição e dificilmente se destaca na multidão. Isso facilita a sua postura como observadora e torna-a menos ameaçadora quando decide aproximar-se dos seus alvos. Ela é uma coolhunter (ver caixa), atenta aos pequenos grupos, às pessoas que usem algo com um potencial de vir a ser massificado, e trabalha para o The Intelligence Group, uma empresa de marketing e de trend forecasting com sede em Nova Iorque, mas com um exército de caçadores – ditos international reporters – espalhados por todo o planeta. Para além de coolhunters, estas pessoas desempenham também a função de trendspotters, atentas aos comportamentos, ao sentido para onde caminham as tendências no local onde estão situadas, ao que ali se consome e ao que atrai a atenção do público em geral. O seu trabalho todos os meses é diferente mas, essencialmente, todos têm como tarefa destacar no mínimo duas tendências que sintam que estejam a aflorar nas cidades em que se encontram. O material recolhido e compilado é depois analisado nos escritórios centrais por antropólogos, sociólogos, especialistas em marketing e em outros sectores ligados ao consumo e aos novos negócios.

Portuguesa, licenciada em Ciências da Comunicação e especializada em Publicidade, Paula Horta fazia o mestrado em Cultura Visual em Barcelona quando surgiu a oportunidade de fazer este trabalho. Dificilmente seria recrutada para fazer o mesmo em Portugal, destino que nem sempre desperta o interesse destas empresas de marketing e tendências pelo seu tamanho reduzido, pela sua posição periférica e pela limitação da sua influência em outros mercados. Em Espanha, ao contrário, o mercado é maior e estende-se aos países da América Latina de expressão espanhola. E Barcelona é um centro cool por excelência, carregada de estrangeiros e onde fervilha o cenário cultural.

Paula rapidamente se identificou com a actividade que agora desempenha e já não consegue pôr os pés na rua sem observar tudo e todos. Para executar bem o seu trabalho necessita de uma visão apurada e de uma boa capacidade de análise. “É fundamental que consigamos abstrair-nos dos nossos gostos e crenças habituais. Isso não interessa para nada neste trabalho. O importante é conseguirmos anali-sar o que nos rodeia”, comenta. As ruas são o seu campo de trabalho, mas não só. Os eventos de arte, música, as feiras de moda, entre outros acontecimentos, também o são, assim como os blogs, os sites da Internet, os jornais e as revistas em geral. “Sou uma verdadeira junkie das revistas”, confessa.

As tendências, então, não surgem da cabeça de ninguém. Nascem nas sociedades em que vivemos, dos pequenos adereços, dos gestos isolados de grupos restritos, das opiniões quase anónimas mas que catalizam a atenção de muitos, dos pequenos negócios criativos que despontam aqui e ali, de tudo o que se vê e se faz de forma diferente e inovadora, mas também da forma como as sociedades se comportam. Um artista underground, o designer do momento, um músico, um DJ, actrizes e actores, o autor de um blog, uma jovem na rua… Qualquer um pode ser um trendsetter (ver caixa) desde que se destaque na multidão ou desperte o interesse dos demais e que, de alguma forma, a sua atitude ou opinião reflicta as ansiedades do momento.

“Eu não descubro nada novo”, afirmou a respeitada investigadora de tendências holandesa Li Edelkoort numa entrevista publicada no site da Symrise, grande produtor alemão de fragrâncias e sabores. “Observo e interpreto o comportamento e o estado de espírito das pessoas, e aponto o que vejo. Actuo como uma catalizadora do espírito do momento e transformo-o em tendência o mais cedo possível.” Li Edelkoort busca constantemente respostas para perguntas como: Como será a nossa vida no futuro? O que irão querer as pessoas? Que desejos e necessidades terão? Que características um produto deverá ter para alcançar o sucesso no mercado? Como inspiramos as pessoas a comprar coisas?

Mas como é que tudo isso surgiu? Depois da Segunda Guerra Mundial houve um incremento do pronto-a-vestir. Na década de 60 verificou-se uma grande democratização de hábitos e a indústria do vestuário deu um salto significativo. Com isso, houve não só a necessidade de modernizar-se como também de ajustar a produção a uma quantidade crescente de consumidores assim como aos seus gostos. Prever quais seriam os produtos preferidos do público significava assegurar que não haveria ruptura de stocks, ou seja, que as peças não iriam esgotar-se ou não faltaria matéria-prima para as produzir. Assim, a opção foi, “em vez de trabalhar da fábrica para o mercado, fazer o sistema inverso, do público para a fábrica, a partir de uma observação mais atenta das pessoas, dos seus hábitos, da arquitectura e de diversos outros fenómenos socioculturais”, observa Greta Statter, consultora de moda e de tendências de estilo de vida.

Surgem nessa altura os primeiros observadores de tendências. Eram, em geral, pessoas viajadas, com boa bagagem cultural e interesse pelo mundo da moda, que davam indicações a nível da gama de cores a ser utilizada e que desenhavam alguns esboços de formas e modelos. Nessa altura são criados também os primeiros cadernos de estilo. “Françoise Vincent foi, provavelmente, a primeira a fazer um mapa em que cruzava circunstâncias económicas, históricas, políticas e artísticas”, comenta Greta Statter. Em 1966, Françoise Vincent, com o apoio de industriais franceses, criou a Promostyl, um dos mais antigos gabinetes de estilo, que hoje compartilha o cenário e a influência com outros gabinetes como o Peclers Paris, a Agence de Style Nelly Rodi, o Studio Edelkoort, entre os mais tradicionais, assim como com as mais jovens empresas de investigação e inteligência (intelligence companies) como a Faith Popcorn’s Brainreserve, a Look-Look e a The Intelligence Group. “Estes gabinetes cheiram o l’air du temps e são capazes de discernir o que vai ser importante para o futuro”, aponta Greta Statter.

E da mão-cheia de sugestões dos primeiros tempos, o trabalho dos observadores de tendências foi-se tornando cada vez mais complexo. Ainda que os métodos de trabalho nem sempre sejam exactamente os mesmos, hoje pouco diferem dos utilizados inicialmente. Baseiam-se nas viagens e compras no estrangeiro, sobretudo quando se trata de gabinetes dentro das empresas de produção, ou em profissionais estrategicamente situados em distintas partes do globo, no caso dos gabinetes de tendência particulares. Contam com uma boa dose de intuição mas também com o apoio de profissionais vocacionados para analisar a sociedade e o significado dos sinais recolhidos.

O trabalho não se resume a observar as pessoas na rua para, mais tarde, desenhar para elas. Vêem-se os trabalhos de designers, artistas plásticos, arquitectos e outros criativos de cada local. Por isso fala-se cada vez mais de lifestyle – fenómeno mais global – que alia também urbanismo, arte e design”, refere Pedro Marques Mendes, representante da Promostyl em Portugal. E acrescenta: “Nesse âmbito, Portugal tem alguma coisa para oferecer – temos boa afirmação internacional sobretudo a nível da arquitectura e do design de equipamentos.” Pedro Marques Mendes destaca os designers Fernando Brízio, Miguel Vieira Baptista e Ricardo Ralhete, “que não são produtores em grande escala mas são observados e influenciam”. Destaca também Siza Vieira e outros arquitectos nacionais. E, no âmbito da moda, chama a atenção para Felipe Oliveira Baptista, Pedro Waterland e Luís Buchinho. “Os gabinetes de tendências já repararam neles.”

A Concertação Internacional da Cor acontece em Paris todos os anos, duas vezes por ano, desde há mais de duas décadas. Este é um dos grandes acontecimentos a nível das tendências e reúne gabinetes de estilo, estilistas independentes, fabricantes de pigmentos, industriais têxteis e as suas associações. Neste encontro define-se a gama de cores para cada estação. “Hoje já estão disponíveis as cores para o Inverno de 2009/2010”, observa Pedro Marques Mendes. “As decisões levam em conta o gosto do público mas também outros interesses em particular, como promover uma determinada cor – um pigmento que não se usa há muito tempo ou que é muito caro, por exemplo”, observa.

Pedro Marques Mendes traça o caminho destas decisões. “Definida a gama de cores, as associações informam os seus membros e os gabinetes de tendências fazem o desenvolvimento criativo dos usos desta gama.” Os cadernos de estilo/tendências produzidos pelos gabinetes de tendências são, na sua maioria, o cruzamento final do trabalho de campo e a sua respectiva análise com a gama de cores. São publicados, na grande maioria dos casos, cerca de duas vezes por ano, com previsões com dois ou três anos de antecipação. Esses cadernos apresentam cores, texturas e formas para cada estação, mas com a preocupação de abarcar os vários públicos-alvo – mulheres, homens, crianças, jovens, estilos de vida, conceitos, entre outros. Para melhor ilustrar as tendências que referem, recorrem a diversos elementos: amostras de tecido e de outros materiais de produção, esquissos de modelos e objectos, recortes de imprensa e retratos de personalidades de interesse (artistas, designers, arquitectos, estilistas e opinion makers, por exemplo).

Se inicialmente este era um serviço prestado quase exclusivamente para a indústria têxtil e de pronto-a-vestir, hoje é almejado pelos mais variados sectores de produção – dos cosméticos à decoração, dos automóveis aos telemóveis, dos alimentos aos restaurantes e hotéis. Empresas como a Swatch, a Fiat, a Dupont, a Nokia, a Renault, e tantas outras, compram esta informação, estendendo a influência a um amplo leque de produtos de consumo e não apenas à moda.

“Este serviço torna-se cada vez mais indispensável para a sobrevivência de marcas e empresas. São raras as que não compram estes indicadores de tendências e há mesmo empresas que recorrem aos produtos de mais do que um gabinete”, afirma Pedro Marques Mendes. O gabinete que representa lança 15 cadernos diferentes por semestre e há quem invista a sério e os compre todos.

A informação dos gabinetes de tendências é a base de trabalho para as direcções de design e marketing das empresas clientes. As de design cruzam-na com as suas experiências pessoais e desenvolvem os produtos com um cunho próprio. As de marketing trabalham nas estratégias de produto, nos conceitos a utilizar para a sua promoção.

Mas a necessidade das tendências tem também a ver com outros factores económicos. “O capitalismo é, por definição, um sistema que aspira à expansão – dos lucros e, por arrastamento, dos mercados. Para sobreviver, tem de se renovar e, para se renovar, é necessário garantir o fluxo contínuo, quando não a expansão, do que é produzido, isto é, do consumo. Uma das formas de garantir que vamos comprar mais um par de calças consiste em garantir a obsolescência – pelo menos relativa – das que já possuímos”, explica Ana Brandão, assistente do Departamento de Sociologia do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho, que integra uma das equipas de investigação do Grupo de Cultura e Estilos de Vida. De acordo com esta socióloga, “a moda cumpre o papel fundamental de garantir essa obsolescência que assegura o consumo na medida em que procede à revisão contínua da ‘adequação’ desses produtos. Deixamos de vestir o que não está na moda”.

Essa obsolescência passa pelo aproveitamento de necessidades elementares do ser humano – como a necessidade de pertença e de singularidade – para promover a expansão das áreas de negócio. “Os produtos de consumo geral e a oferta cultural são elementos constituintes dos estilos de vida. Não nos distinguimos ou assemelhamos socialmente apenas pelo que vestimos mas também pelo que fazemos, pelo que comemos, pelos espectáculos a que assistimos… O que o capitalismo faz é explorar aquelas necessidades básicas pela identificação de novas áreas de aplicação das suas técnicas”, comenta a socióloga.

A sociedade está mais complexa, é verdade. E as tendências confortam. “As marcas passam a ser como famílias”, declarou o guru das tendências David Shah, numa entrevista dada à revista Época brasileira. De acordo com este especialista, as pessoas passaram a criar identidade por tribos. “Não importa a sua nacionalidade, se você usar um traje de Yohji Yamamoto como eu, nós pertencemos à mesma tribo.” Shah explica que hoje já não existem mais trabalhos para toda a vida, as ideias tradicionais de casamento e família parecem desaparecidas. “Por isso estão tão interessadas nas tendências: porque não sabem o que vai acontecer com o mundo. As marcas passaram então a tentar desenvolver um relacionamento com o seu consumidor, construindo um elo emocional. “Antecipar tendências consiste, basicamente, em prever as possibilidades de desenvolvimento futuro – em termos profissionais, de moda, etc. – com vista a, de algum modo, estabelecer uma relação securizante face ao próprio futuro antecipado. É, neste sentido, uma tentativa de lidar com o elemento imprevisível, de reduzir a consciência do risco, ou, pelo menos, a ansiedade que lhe está associada”, refere a socióloga Ana Brandão.

E o que marcará os novos tempos? As tendências decorativas, o biológico e o tecnológico são os conceitos do futuro próximo. É no que acredita Pedro Marques Mendes. Paula Horta acredita também na costumização dos produtos. “Uma forma de transformar um produto massificado em único”, observa.

Tudo o que vem da natureza terá um espaço privilegiado, desde as cores às formas de fósseis, defende o grupo Edelkoort. De acordo com a investigadora holandesa, pressente-se o ressurgimento dos produtos locais, assim como da cozinha regional. “Estamos cansados de ver as mesmas marcas por todo o mundo, estejas em Nova Iorque, Tóquio ou São Paulo.” As novas marcas conquistarão alguma frescura se combinarem os seus produtos de cariz global com um toque local.

O guru David Shah acredita que estamos a entrar numa nova fase de comportamento dos consumidores, que denominou Nu Austerity (nova austeridade). “O comprador de moda, antes preocupado com a imagem de ostentação, passou a preocupar-se com questões maiores como a sustentabilidade, as alterações climáticas, a pobreza global, o comércio ético, etc.”, escreveu na última edição da revista Textile View, publicação especializada em tendências da qual é responsável.

A procura do significado é o que aponta Anne Lise Kjaer, do gabinete de tendências Kjaer Global. “Acredito que a busca do significado será o propulsor nuclear do século XXI para as sociedades ocidentais, uma sociedade imbuída com uma tremenda escolha material e carregada de uma abundância sem significado”, escreveu para a mesma edição da revista Textile View. A especialista aponta para os produtos potenciados pela emoção e a ética como o meio para chegar com significado às pessoas no futuro.

Visto Modamaistyle.blogspot.com

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