Com mais babados, romantismo e volumes fofos que o esperado, o Fashion Rio chega ao 3° dia contaminado por cuidadosa suavidade e desejo de acertar. Os baixos níveis de adrenalina, de uma tranquilidade quase letárgica, só foram quebrados pela zoeira rocker do desfile lotado da Ausländer, ao som da banda canadense Dragonete.

Sai Yamê Reis entra Renata Simon. Com essa movimentação de bastidores definida desde a estação passada, a Cantão imprime direção nova, libertando-se da carga folk em favor de um romantismo equilibrado por sportswear e abordagem nova de elementos açucarados. Os babados, por exemplo, mudam de lugar e os espaçamentos entre eles aumentam.

O recurso esvazia o volume, conferindo novo caimento. As bermudas tipo ciclista mantêm sob controle as vestes alongadas e vaporosas, estampadas com nuvens e sinalizando que o céu é o tema da coleção. A cava e o decote tipo nadador, e alguns zíperes e telas dinamizam o conjunto. Nesse jogo de afofa e seca, a coleção resulta otimista e vendável. Essas sim, características preservadas pela marca carioca em meio a uma grande variedade de materiais: linho, tule, seda, nylon transparente, musseline, tricô, sarja resinada, sarja com aplicação de foil, couro e lona com foil.

Com leve sotaque britânico nos trench coats desconstruídos e nos florais austeros, corroborando a anunciada referência aos jardins ingleses, a Printing passou calma e bonita pela passarela. Os tons são suaves e neutros, com sequências inteiras de off-white, e cores controladas, batizadas de narciso, musgo, miosótis e hibisco. Sobre chiffon, cetim, organza, jacquards, e seda, a Printing entra com os bordados preciosos que sabe fazer tão bem. Nas primeiras entradas, os volumes se acumulam na parte superior, em moulages sem exageros. Saias e calças ficam perto do corpo. Logo depois, toda a silhueta é solta com delicadeza, voltando aqui e ali aos detalhes estruturados. Mais uma coleção que opta pelo seguro, o que parece ser a tônica dominante nesta edição.

Maria Bonita Extra de sempre e ainda assim revigorada. Foi essa a impressão deixada pelo desfile romântico, salpicado de mangas bufantes e laços, também citando jardins e calma como fonte de inspiração. Para corrigir o rumo e não enjoar, a marca emprega recursos semelhantes aos usados por outras até agora: alterna looks enxutos e lânguidos, entra com peças ajustadas em meio às soltinhas, secando partes da silhueta. Também introduz zíper aparente e ensaia casacos leves, semiestruturados e de alma utilitária. A opacidade do linho resinado e a translucidez da organza desempenham esse mesmo papel. Se exercitando de um lado e outro, a coleção emplaca mais uma vez a poesia discreta das garotas bem comportadas.

Sala totalmente cheia, pessoas em pé, atraso e alguma confusão: tudo para ver a Ausländer, mas também para ver a banda canadense Dragonette, que fez a trilha ao vivo e a cores do desfile da marca carioca. Na passarela, elementos de tribos variadas, com edição partindo de looks diurnos e claros até aportar em noites agitadas e mais sombrias. A coleção gira em torno do universo dos festivais de música acima da linha do Equador, e a grife aproveita a deixa para afinar o DNA de marca jovem, cortejando a diversidade de público e gostos musicais.

Para o elas, saias e vestidos justos e curtos, na linha “vestiu e está pronta”. Os shorts são bem resolvidos, agradam ao público da marca, e a combinação de saia godê com cintura alta e camiseta é perfeita para quem deseja fugir do império dos vestidos. Para o eles, bermudas com blazer, nada muito justo e agasalhos leves de nylon para o dia. O clima fica mais denso com jeans puídos, coletes e jaquetas grafitados em preto.

Anos 1970, bruxas e sacerdotisas contemporâneas em cortejo esvoaçante pela passarela da Alessa. Na moda tudo pode, tudo deve poder. Entretanto, a década de 1970 assim, literal, soa tão particular, que não sei… Os plissados são bonitos, e as pedras recortadas – resgatadas do limbo das lojas de souvenir – para a dignidade dos grandes colares é bacana. Enfim, Alessa é Alessa. Consegue estampas de qualidade e faz o que quer de maneira contagiante. Então, vamos aos cabelões frisados, caftans e aos vestidões sem fim.

Visto em Usefashion.

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Joia masculina, que tal? A designer de joias Karin Reiter acaba de lançar uma espécie de ombreira de prata. A inspiração é “Spartacus“, filme de Stanley Kubrick de 1960, e o resultado é bem parecido com os acessórios que os gladiadores romanos usavam. A pergunta é: você usaria? Ela lembra também os acessórios de couro da Ausländer no último desfile, de outono-inverno 2010, assinados por Claudia Savelli.

Visto em MSN MODA

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Ausländer, Melk Zda, Giulia Borges e Victor Dzenk
Com termômetros marcando 35ºC, e sensação térmica muito além, chinelinhos, vestidões, shorts e bermudas compuseram o figurino de quem esteve no Píer Mauá. Na passarela, outra realidade: um mundo em preto anuncia o inverno que parece muito, muito distante. Mas é só no que diz respeito à temperatura externa. No plano dos negócios de moda, é mais do que hora de ver o que está acontecendo. Confira a seguir as 4 marcas que abriram o 1º dia de desfiles do renovado Fashion Rio:
A carioca Ausländer ensaiou vôo noturno, com roupa inspirada em punk rock para rapazes e garotas. Muitos spikes de metal, jaquetas perfecto e leggings, na melhor tradução da tendência Rebelde, fartamente anunciada pela UseFashion. As camisetas que fizeram a história da marca ganharam frases engraçadas ou provocativas, perguntando se existe vida sem Blackberrys e afirmando que “pornografia é o novo preto”.
Melk Zda, que traz hostess da tradição artesanal pernambucana para o mundo, arriscou-se corajosamente em coleção ainda mais experimental e inventiva, com muito volume e pesquisa têxtil. Madeira e carpintaria comandam os trabalhos, e a roupa conta com um minucioso painel de diferentes formas de aplicação decorativa destes recursos. A cartela de cores, em tons derivados e alguma inserção do azul turquesa, quebra qualquer possibilidade de monotonia.
Ao apresentar um universo de inocência infantil, com muitos babados, lacinhos e poás em preto e branco, além de fechamentos e detalhes de modelagem deslocada, Giulia Borges criou uma espécie de versão noir do girlie. Os vestidos cheios de detalhes e recortes conduzem esta coleção de identidade romântica e alma ligeiramente torta. A estilista esbanja domínio técnico utilizando materiais de pesos e texturas muito diferentes na mesma peça.
Victor Dzenk gosta de temas grandiosos. Desta vez, abraçou a antiguidade clássica para fazer seus esvoaçantes vestidos de caimento leve, decorados com clichês do imaginário que cerca a cultura grega. A cenografia acompanhou: inevitáveis colunas e música ao vivo de uma harpista envolta em túnica branca. O estilista é coerente e atende um público fiel à sua moda festa, que aplaudiu muito e saiu satisfeito com o que viu
fonte: www.usefashion.com.br

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