Elas praticamente têm a mesma história ou sina. Ou foram gordinhas a vida toda ou engordaram após a gravidez ou engordaram e ponto. Conhecendo a pressão que é não ter medidas perfeitas e acalentando o sonho de ser dona do próprio negócio, que ao mesmo tempo rendesse dinheiro e ajudasse pessoas, Karine Braune chamou a irmã, a jornalista Sylvia Braune, e mostrou a ela o que estava acontecendo no universo plus size. Sylvia deu de ombros.

— Mas a Karine me provou que ali tinha um novo mercado. Apostei — conta ela, que, há oito meses, comanda com a irmã e uma sócia a G+Models, agência carioca especializada em modelos plus.

— Nós escolhemos. Não há uma inscrição. Isso faz parte da profissionalização. O mercado está em expansão, mas não adianta querermos respeito se não damos profissionalismo — justifica Karine.

Na G+Models, as moças têm curso de passarela, fotografia, maquiagem, produção de moda e coaching. Para se ter ideia de como as empresas estão de olho neste nicho — mais de 50% dos brasileiros estão acima do peso —, este mês quatro modelos cariocas estarão representando o Brasil na Expo Mujer, feira de moda plus size, na Argentina. Entre elas Josiane Lira, Raquel Machado e Yasmin Zouphi.

Josiane Lira, de 31 anos, é a versão plus size de Juliana Alves, só que com 1,80m e mais de 100kg. A faturista sempre foi aquela negra boazuda. Até encordar. Ganhou 30kg na gravidez e nunca mais conseguiu voltar aos antigos 78 kg. Deprimida, se achava a mulher mais feia do planeta, até que uma amiga a inscreveu num concurso para ser musa do verão, na Feira de São Cristóvão. “De maiô! Quando vi que podia ser bonita e chamar a atenção, me descobri como mulher”, conta Josi. Hoje modelo, ela acaba de ser escolhida a cara da grife paulistana Xica Vaidosa, que chega ao mercado carioca este ano. “Posso comer meu mocotó em paz e trabalhar com o meu corpo”.

Raquel Machado, 26 anos, outra modelo que vai para a Argentina, sempre se sentiu o patinho feio. Não se olhava no espelho, não se arrumava, não existia. Até que na rua um homem a chamou para fotografar. “Pensei que era onda, né? Nunca retornei. Mas isso me despertou para conhecer o mundo plus size”. Após um filho e muitas agruras, Raquel decidiu se dar uma chance. Participou de um concurso virtual só para gordinhas e ganhou. Nem a família sabia. Depois disso, foram muitos até chegar ao terceiro lugar do Miss Universo Plus. Hoje, a jornalista veste 48, modela e está em paz com sua imagem. “Minha autoestima é maior que a da Gisele Bündchen”.

Yasmin Zouphi, a caçula da turma, tem 21 anos, puxou a genética dos avós. Pela da mãe Denise, professora de passarela e etiqueta, e a da tia, a temida e respeitada Maria Agusta, da antiga Socila, que foi um emblema para as cariocas de fino trato, ela seria magérrima. Mas não. Belíssima em seus 1,54m e manequim 46, Yasmin descobriu que podia ser modelo após ser abordada num shopping. “Fiz as fotos e me liguei que eu era bonita”. A secretária é uma das que vai representar o país na Argentina e sonha com o dia em que vai entrar numa loja de grife e comprar o que quiser. “Se tenho dinheiro, por que não posso consumir? Quero entrar na loja e encontrar meu número de verdade. Os Gs não existem. Ignorar esse público é não estar no futuro”.

Um exemplar de boazuda, Andressa Soares, a Mulher Melancia, associou-se a uma marca e investe em tamanhos até 50:

— Faço as mesmas modelagens de grifes famosas. Só que para todo biotipo.

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