Depois de anos com a câmera fotográfica em punho registrando editoriais de moda em revistas como a descolada “Interview”, o norte-americano Victor Demarchelier abriu nesta segunda-feira (15) sua primeira exposição fotográfica individual, “Creating Images”, na Clic Gallery, no SoHo, em Nova York.

Filho do famoso fotógrafo francês Patrick Demarchelier, um dos principais da moda na atualidade e, por ter crescido em meio a estúdios, modelos e rolos de filme, não é de se admirar que Victor tenha escolhido seguir os passos do pai. Embora tenha se formado em economia na faculdade Vassar, em Hudson Valley, Nova York, o talento genético foi mais forte e ele mudou totalmente de carreira.

Para completar sua inserção no mundo da moda, o rapaz de 25 anos tem como ex-namorada a modelo brasileira Carol Trentini, que aparece seminua em algumas das fotos da exposição. Em declaração ao site WWD.com, Patrick elogiou o filho dizendo que gosta muito de suas fotos. “Ele é bem preciso, bem claro e organiza seu trabalho muito bem. É um fotógrafo incrivelmente talentoso”, disse.

Visto na Revista Marie Claire

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Em maio deste ano o mundo da moda recebeu uma notícia importante: o estilista Amir Slama se desligou da Rosa Chá, grife que fundou em 1993, meses depois de vendê-la completamente ao grupo Marisol, que já possuía 75% da marca desde 2006. No seu lugar, e por indicação pessoal, entrou Alexandre Herchcovitch – não só por seu talento e criatividade, mas também por seu prestígio internacional. Afinal, nos últimos anos a grife investiu pesado no mercado externo, onde conseguiu um bom posicionamento no segmento de moda praia.

Agora, em nova fase, a Rosa Chá pretende expandir seus horizontes, intensificar sua atuação no mercado interno e ir muito além do beachwear. Segundo Ronaldo Mattos, diretor executivo da unidade de luxo da Marisol, “a Rosa Chá passou 3 anos com uma forte atuação no exterior, participando da semana de moda de NY, esperando que com isso houvesse uma certa reverberação no mercado nacional”. Contudo, como ele mesmo explica, “no negócio, nas lojas, a gente viu que isso não é tão forte assim”. Justamente por isso neste novo período a grife dá início a um “direcionamento um pouco mais forte para o mercado nacional em termos de comunicação”. O que isso significa? Maior presença nas principais publicações de moda do país, um possível desfile ou eventos de lançamentos aqui no Brasil, e até uma grande loja conceito, que serviria também para reforçar que a marca não é apenas uma grife de moda praia.

Visto no About Fashion

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Foto-Coco-Chanel-moda-FilmeDesde que foi anunciado, os interessados estão formigando de ansiedade para ver “Coco avant Chanel“, filme biografia que mostra a fase de aprendizado da estilista, estrelado pela também adorada Audrey “Amelie Poulain” Tatou. Este frenesi e as mudanças de data de estreia (a última que se tem notícia é 30 de outubro no Brasil) fez pipocar notícias e declarações de amor para a grande estrela da moda, aquela que, se não é unanimidade, é a que mais se aproxima disso. E nem estou falando da marca Chanel, aquela muito bem mantida pelo estilista Karl Lagerfield desde 1983 e que é um exemplo de longevidade em uma grife.

Não, estou falando da estilista Chanel, que viveu em uma época em que a marca ainda não possuía o poder de hoje em dia, mas sim a figura do criador, numa relação que aproximava o costureiro dos artistas. No entanto, mesmo sendo ídolo máximo do campo da moda, Chanel é uma figura interessante para toda a história da cultura do século XX. Isso porque ela não apenas pensava em costurar para a elite socioeconômica da França, não, Chanel no fundo costurava para si mesma. Audaciosa, faladeira, e boa de marketing pessoal, além de um histórico de heroína, é uma figura fácil de ser romantizada – me surpreende os poucos filmes e livros.

De família pobre, quando tinha seis anos perdeu a mãe e ficou com mais quatro irmãos aos cuidados do pai, que por trabalhar muito, manteve as meninas em um orfanato. Logo, Gabrielle Bonheur Chanel começou a trabalhar cantando em cabarés, época em que recebeu o apelido Coco. Como a grande maioria das mulheres pobres, costurava (lembrando que o comércio de roupa pronta, como magazines, ainda não era popular). Começou fazendo chapéus e só depois, abriu uma maison.

Mas o sucesso entre as mulheres abastadas não se deu de uma hora para outra – Coco foi inserida na alta roda parisiense por um militar milionário, além de ter tido outros amantes idem – suas primeiras lojas foram financiadas por um jogador de pólo com quem teve um caso. É inegável que houvesse talento na jovem estilista, mas não só para construir e criar peças novas, mas um talento para se relacionar com as pessoas certas, o que em qualquer meio social é meio caminho andado para influenciar as pessoas.

De certo, as criações de Chanel causavam estranhamento nas damas de porte aristocrático. Para entender porque a insistência no “rótulo de gênio”, antes de descrever as imagens criadas por ela, tente imaginar uma típica mulher milionária da época: apertadas em corsets, com metros e metros de sedas e rendas, cabelos muito longos e ornamentados e muitas joias verdadeiras, impedidas de se movimentarem com naturalidade. Menos alienada a acontecimentos sociais, consciente dos avanços na emancipação feminina e da velocidade que a industrialização propunha para o consumo, amiga de artistas influentes e legitimados entre os ricos, como Picasso e Jean Cocteau, tomou para si o espírito de simplicidade e liberdade da época e aplicou em suas peças.

Assim, Chanel pode ser considerada a criadora do traje casual – propôs malhas e brim (tecidos considerados rústicos), calças de montaria para as mulheres (cavalgar de saia era uma ideia mesmo estúpida), combinações de saias mais curtas, inspiradas nos trajes masculinos (e eternizados como tailleurs), bolsas com correntes (para a mulher ter a mão livre, assim pode segurar o cigarro, hábito que crescia entre as garotas), chapéus práticos, sem tantas plumas e pedrarias (os grandes chapéus eram usados para evitar que o sol queimasse o rosto das mulheres europeias, já que a pele branca era sinônimo de status, mas Chanel não se importava e aparecia coradinha, de chapéu pequeno), bijuterias (os metros de pérolas falsas estavam ao alcance de todos) e, acima de tudo, o “pretinho básico”, adequado, bonito e prático.

Isso tudo não é apenas uma reunião de exemplos de objetos de desejo, não. Nessas criações, e principalmente na aceitação que tiveram – não basta criar, as pessoas têm que usar – é possível perceber um momento histórico, em que a burguesia aumentava seu poder de consumo cada vez mais, a mulher era necessária no mercado de trabalho e autorizada a frequentar espaços sociais e não só a vida doméstica, o esporte e as atividades de lazer passam a ser rotineiros para essa nova classe abastada e o costureiro passa a ser tão importante quanto quem veste sua criação. Chanel soube usar tudo isso e divulgou o conceito de “estilo é o que permanece”, o que se desenvolve para a nossa atual ideia de marca. A criação fora de contexto é mero produto, o que não acontece aqui.

E ainda provou que não era da boca pra fora: nos anos 50, quando andava apagada por causa de problemas durante a Segunda Guerra Mundial – acusada de colaborar com alemães, de manter um relacionamento com um oficial nazista, acabou presa, uma história ainda mal contada – o estilista da vez era Christian Dior, com uma proposta oposta a de Coco, a de restaurar os ares de nobreza da mulher depois de difíceis tempos de racionamento e trabalho. Mas, obstinada e cheia de certezas que era, aproveitou o seu estilo e recriou sobre suas formas básicas, atingindo grande popularidade novamente e conseguindo apoio de uma garota propaganda de dar inveja, aquela tal de Marilyn que tinha o hábito de dormir só de perfume.

Você pode se interessar mais pela vida cheia de amores e desaforos de Coco, ou pela intuição e ousadia da estilista Chanel, tanto faz. O filme pode trazer muitas verdades ou apenas fantasiar sobre alguém que muito fantasiou sobre si mesma. Tanto faz também. É sempre bom ter uma referência com tantas importâncias quanto essa. E tomara que não adiem o filme.

Por Priscila Rezende

Visto no A Capa

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